Segundo o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, aproximadamente 8 mil militares norte-coreanos estão presentes na região russa de Kursk
William Oliveira Publicado em 01/11/2024, às 09h24
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, emitiu um alerta na quinta-feira (31) sobre a presença de aproximadamente 8 mil militares norte-coreanos na região russa de Kursk, próxima à fronteira com a Ucrânia. De acordo com Blinken, essa movimentação sugere que Moscou está prestes a integrar essas tropas em operações de combate nos próximos dias.
Blinken destacou que os soldados receberam treinamento especializado das forças russas, abrangendo habilidades em artilharia, veículos aéreos não tripulados (UAVs) e táticas básicas de infantaria, como a limpeza de trincheiras. Isso indica uma preparação para o engajamento direto nas linhas de frente.
Durante seu pronunciamento, Blinken também se dirigiu à China, afirmando que o país detém a capacidade única de influenciar a Coreia do Norte devido aos seus laços estreitos com o governo de Pyongyang.
O aumento da presença militar norte-coreana em apoio à Rússia suscita preocupações sobre a possibilidade de o conflito na Ucrânia se transformar em uma guerra de múltiplas frentes, exacerbando as tensões já existentes na península coreana. Paralelamente, a Coreia do Sul anunciou recentemente o envio de uma delegação à Ucrânia para discutir potenciais "medidas de cooperação", um movimento que foi bem recebido, mas também gerou apreensão.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou inquietação com esse cenário e tem reiterado a necessidade de uma resposta contundente do Ocidente. Ele advertiu que o não enfrentamento dessa situação poderá resultar no aumento do número de soldados estrangeiros apoiando a Rússia no conflito.
Zelensky observou que os militares norte-coreanos representam um recurso estratégico importante. Para Moscou, a participação deles alivia pressões internas por mobilizações locais que poderiam ser impopulares. Por sua vez, Pyongyang se beneficia dessa colaboração, pois proporciona às suas forças uma valiosa experiência em combate. Embora os soldados norte-coreanos ainda não tenham entrado em ação, Zelensky alerta que sua participação nas hostilidades é iminente.