Fechamento da principal passagem marítima entre Omã e Irã pressiona preços do petróleo, eleva risco inflacionário global e acende alerta nos mercados internacionais.
Redação Publicado em 02/03/2026, às 11h41
A escalada do conflito no Oriente Médio após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, considerado a artéria mais estratégica do petróleo mundial.
A interrupção da navegação na região — responsável por cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente — provocou reação imediata nos mercados. Na abertura das bolsas internacionais, o barril do petróleo chegou a disparar cerca de 13%, ultrapassando US$ 82, maior nível desde janeiro de 2025.
Localizado entre Omã e Irã, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é a principal rota de exportação de grandes produtores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Catar. Além do petróleo, grande parte do gás natural liquefeito do Catar também passa pela via.
Por que Ormuz é tão estratégico?
Entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris de petróleo atravessam diariamente o estreito, segundo plataformas de monitoramento marítimo. Qualquer interrupção impacta diretamente a oferta global de energia, elevando custos de combustíveis, transporte e alimentos.
O local já foi alvo de tensão durante a guerra entre Irã e Iraque (1980–1988), quando petroleiros foram atacados e os Estados Unidos passaram a escoltar embarcações na região. Desde então, o estreito se mantém como ponto sensível da geopolítica mundial.
Impactos imediatos
Com o agravamento dos confrontos:
O Catar suspendeu parte da produção de gás após ataques com drones;
A Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria;
No Iraque e em Israel, campos de petróleo e gás interromperam operações;
No Irã, explosões foram registradas perto da ilha de Kharg, principal terminal exportador do país.
Analistas avaliam que, se o bloqueio persistir, o barril pode atingir novas máximas, reacendendo pressões inflacionárias em economias dependentes de energia importada — incluindo países da Europa, Ásia e América Latina.
A principal incógnita para os mercados agora é a duração da crise. Uma reabertura rápida tende a estabilizar os preços. Caso contrário, o cenário pode escalar para um choque energético global.