Focos se uniram no oeste de Madri, avançam em direção a novas cidades e operam fora da capacidade de extinção em alguns trechos; país pediu aviões de combate ao fogo à União Europeia.
Ana Beatriz Silva Publicado em 24/07/2026, às 15h38
O governo da Espanha declarou emergência de interesse nacional na Comunidade de Madri e na província de Ávila diante do avanço de incêndios florestais que ameaçam cidades, áreas residenciais, estradas e reservas naturais no centro do país.
A medida foi oficializada após a rápida propagação das chamas em Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, na região de Madri, e em Burgohondo, na província de Ávila. O documento publicado no Boletim Oficial do Estado espanhol aponta a ocorrência simultânea de diferentes focos, a ameaça à população e a necessidade de mobilização de recursos de diferentes administrações.
Com a declaração, o ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, passou a comandar diretamente a emergência, coordenando os recursos nacionais, regionais e municipais. A direção operacional foi entregue ao comando da Unidade Militar de Emergências, responsável pela atuação das Forças Armadas em catástrofes e situações de grande risco.
Ao longo desta sexta-feira, os focos que atingiam Villa del Prado, San Martín de Valdeiglesias e Almorox se fundiram, formando um único grande incêndio na região conhecida como Sierra Oeste. O fogo avançou em direção a áreas densamente povoadas e passou a ameaçar municípios próximos de El Escorial e San Lorenzo de El Escorial.
Segundo o balanço apresentado pelo ministro do Interior, cerca de 25 mil pessoas haviam sido evacuadas e outras 20 mil permaneciam confinadas na Comunidade de Madri. Em Ávila, aproximadamente 8 mil moradores deixaram suas casas e outros 5 mil receberam ordem para permanecer em locais protegidos. O total se aproxima de 60 mil pessoas afetadas pelas medidas de segurança.
Entre os municípios evacuados em Madri estão Aldea del Fresno, Chapinería, Navas del Rey, Colmenar del Arroyo, Fresnedillas de la Oliva, Robledo de Chavela, Navalagamella e Zarzalejo. Villa del Prado, San Martín de Valdeiglesias e Pelayos de la Presa estavam entre as localidades submetidas a medidas de confinamento. Em Ávila, as autoridades também ampliaram as evacuações e restrições em Burgohondo, Hoyo de Pinares, Cebreros e Navaluenga.
As operações mobilizam mais de 3 mil profissionais de órgãos como a Unidade Militar de Emergências, Guarda Civil, Proteção Civil e Ministério para a Transição Ecológica. Aviões Canadair, helicópteros e aeronaves anfíbias também foram empregados no combate às chamas. A Espanha acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e solicitou apoio aéreo internacional, com aeronaves enviadas pela Grécia e pela Itália.
Autoridades madrilenhas afirmaram que o incêndio chegou a operar fora da capacidade de extinção em alguns de seus principais setores. Nesses trechos, o avanço e a intensidade das chamas impedem um ataque direto dos bombeiros, que precisam concentrar os esforços na proteção das cidades, na construção de linhas de defesa e na retirada preventiva da população.
A área atingida apenas na região de Madri pode ter alcançado aproximadamente 12 mil hectares. O número representa o dobro da estimativa apresentada durante as primeiras horas do dia. A elevada concentração de moradias, chácaras e pequenos municípios no oeste da capital espanhola aumenta o potencial de destruição material e dificulta as operações de evacuação.
A situação é agravada por temperaturas elevadas, umidade muito baixa e rajadas de vento que chegaram a superar 50 quilômetros por hora. A combinação permite que brasas sejam transportadas por longas distâncias, originando novos focos à frente da linha principal do incêndio.
Especialistas também apontam que as chuvas intensas registradas durante a primavera estimularam o crescimento da vegetação. Com o calor extremo do verão, esse material secou e se transformou em combustível para incêndios de rápida propagação. Cientistas relacionam o aumento da intensidade das ondas de calor, das secas e dos grandes incêndios na Europa aos efeitos das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana.
A temporada de incêndios de 2026 já está entre as mais graves enfrentadas pela Espanha nas últimas décadas. Mais de 100 mil hectares foram queimados desde o início do ano e ao menos 13 pessoas morreram. O número de grandes incêndios e a superfície destruída também superam amplamente os registros observados no mesmo período de 2025.
A Guarda Civil espanhola prendeu uma pessoa e investiga outra por possível envolvimento no incêndio iniciado em Burgohondo. A principal hipótese divulgada até o momento é de imprudência grave durante o uso de máquinas pesadas em uma área onde esse tipo de atividade estava proibido devido ao elevado risco de incêndio.
As autoridades mantêm como prioridades a proteção da população, a defesa das áreas urbanas e a tentativa de impedir que diferentes frentes de fogo se encontrem. Moradores das regiões ameaçadas foram orientados a acompanhar exclusivamente os canais oficiais, cumprir imediatamente as ordens de evacuação e evitar deslocamentos pelas áreas atingidas.