Guerra contra o narcotráfico

Equador mobiliza 75 mil militares com apoio dos EUA em ofensiva massiva contra cartéis de drogas

Operação nacional inclui toque de recolher em várias províncias e integra coalizão internacional liderada por Washington para combater o narcotráfico nas Américas.

Soldados do Exército equatoriano participam de operação contra cartéis de drogas na província de Guayas durante ofensiva nacional contra o crime organizado. - Imagem: Marcos Pin / AFP

Redação Publicado em 16/03/2026, às 11h49

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O governo do Equador iniciou uma grande ofensiva contra o crime organizado e mobilizou cerca de 75 mil militares e policiais em operações simultâneas contra cartéis de drogas, gangues e redes ligadas ao narcotráfico. A ação conta com apoio estratégico dos Estados Unidos e ocorre em meio ao aumento da violência no país.

A operação, que começou no domingo (15) e deve durar até o dia 31 de março, foi anunciada pelo ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, como parte de uma nova fase da chamada “guerra contra o crime organizado”.

Segundo o governo, as forças de segurança realizarão operações coordenadas de inteligência, patrulhamento e controle territorial para recuperar áreas dominadas por grupos criminosos.

“As operações são em larga escala e mobilizam forças da polícia, do Exército e da inteligência militar para atacar diretamente as estruturas do crime organizado”, afirmou Reimberg.

Operação em terra, ar e mar
O ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, explicou que as ações envolvem presença militar em terra, ar e mar, com foco em áreas estratégicas usadas por redes criminosas para tráfico de drogas e atividades ilegais.

Entre os alvos estão cartéis internacionais, mineração ilegal e organizações armadas ligadas ao narcotráfico.

A operação é a primeira grande ofensiva do país após sua adesão à Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis, aliança internacional criada pelos Estados Unidos para combater o tráfico de drogas no hemisfério.

Segundo autoridades equatorianas, os EUA oferecem apoio em treinamento, inteligência e cooperação estratégica, embora ainda não tenha sido confirmada a presença direta de tropas americanas no território do país.

Toque de recolher em regiões estratégicas
Como parte da ofensiva, o governo decretou toque de recolher entre 23h e 5h em várias províncias consideradas críticas para o narcotráfico.

Entre as regiões atingidas estão:

Guayas, onde fica a cidade portuária de Guayaquil
El Oro, no sul do país
Los Ríos, ao norte da capital
Santo Domingo de los Tsáchilas, no noroeste
Durante o período de restrição, apenas profissionais de saúde, serviços de emergência e passageiros com passagens aéreas comprovadas poderão circular.

A medida tem gerado preocupação entre trabalhadores de setores noturnos, como transporte, alimentação e serviços.

País virou rota do narcotráfico
Embora não seja produtor de cocaína, o Equador se transformou nos últimos anos em um dos principais pontos de saída da droga para os Estados Unidos e Europa.

Localizado entre Colômbia e Peru, dois dos maiores produtores de cocaína do mundo, o país passou a registrar uma escalada de violência associada ao tráfico.

Segundo o Observatório do Crime Organizado, o Equador possui atualmente uma das maiores taxas de homicídio da América Latina, com cerca de 52 mortes para cada 100 mil habitantes.

A ofensiva do governo do presidente Daniel Noboa faz parte de uma política de segurança mais rígida que vem sendo adotada nos últimos anos, inspirada em estratégias semelhantes às utilizadas por outros países da região.

A iniciativa, no entanto, divide a opinião pública. Organizações de direitos humanos alertam para possíveis excessos no uso da força e riscos em operações militares em áreas urbanas.

Apesar das críticas, o governo afirma que as medidas são necessárias para conter o avanço do crime organizado e restaurar a segurança no país.

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