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Empresas de tecnologia distribuem nicotina em sachês a funcionários nos EUA

Empresas defendem uso controlado; especialistas veem banalização da substância

A prática de oferecer sachês de nicotina se espalha entre empresas, prometendo maior foco e eficiência no ambiente corporativo - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 13/01/2026, às 17h46

A busca incessante por foco, velocidade e vantagem competitiva no Vale do Silício ganhou um novo estímulo. Startups de tecnologia passaram a oferecer sachês de nicotina gratuitos dentro dos escritórios como parte da rotina de trabalho. A prática, que já aparece em empresas de grande porte do setor, tem sido associada ao aumento da produtividade de engenheiros que atuam em áreas como inteligência artificial e desenvolvimento de software.

Os sachês são colocados entre a gengiva e a bochecha e liberam nicotina sem a necessidade de fumar ou vaporizar. Discretos e de efeito rápido, eles se tornaram populares entre profissionais que se identificam como biohackers, grupo que aposta em substâncias e técnicas para otimizar o desempenho mental e físico.

Dentro desse universo, a nicotina passou a ser vista como uma alternativa à cafeína. A promessa é de maior foco por um período curto, sem o efeito prolongado que pode atrapalhar o sono. Máquinas de venda automática instaladas em áreas comuns dos escritórios facilitam o acesso e reforçam a normalização do uso durante o expediente.

O mercado em torno desses produtos cresce em ritmo acelerado. Marcas especializadas atraem milhões em investimentos de capital de risco e reposicionam a nicotina como um item ligado à performance, e não ao vício. No ambiente corporativo, o estimulante ganha status de acessório de trabalho, associado à eficiência e à entrega constante de resultados.

Especialistas em saúde, no entanto, observam o movimento com preocupação. Médicos alertam que a nicotina é altamente viciante, independentemente da forma de consumo. O uso frequente pode elevar a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e ampliar o risco de problemas cardiovasculares, especialmente entre pessoas jovens e saudáveis.

Outro ponto de atenção é o perfil de quem consome os sachês. Muitos usuários nunca tiveram contato com o cigarro ou outros produtos derivados do tabaco. O receio é que a cultura da alta performance esteja introduzindo a dependência química como parte do cotidiano profissional, mascarada por discursos de inovação, foco e produtividade.

Enquanto empresas defendem a liberdade individual e a busca por ferramentas que ajudem seus times a render mais, cresce o debate sobre os limites entre bem-estar, pressão por desempenho e responsabilidade corporativa.

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