Educação

Brasileira nos EUA celebra formatura da filha em ensino domiciliar após adaptação para autismo e TDAH

Família adotou o homeschooling há seis anos após dificuldades enfrentadas pelos filhos no ensino tradicional; experiência terminou com formatura nos Estados Unidos e evolução acadêmica dos estudantes.

Jovens formados em homeschooling participaram de cerimônia de conclusão do ensino médio em Tampa, na Flórida - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 30/05/2026, às 15h23

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Uma cerimônia realizada no último dia 16 de maio, na cidade de Tampa, no estado da Flórida, reuniu mais de 40 jovens para celebrar a conclusão do equivalente ao ensino médio nos Estados Unidos. O evento teve uma característica especial: todos os formandos concluíram sua educação por meio do homeschooling, modelo de ensino domiciliar em que a aprendizagem acontece fora das escolas tradicionais.

Entre os estudantes que participaram da cerimônia estava a filha mais velha da brasileira Rafaela Burress, de 18 anos. Morando nos Estados Unidos há 28 anos, Rafaela decidiu retirar os filhos da rede tradicional de ensino e assumir a educação deles em casa após identificar que o ambiente escolar não atendia adequadamente às necessidades individuais de ambos.

Segundo ela, a decisão foi tomada após anos de observação e convivência com famílias que já adotavam o modelo de ensino domiciliar.

“Eu nunca tinha ouvido falar deste modelo, achava um absurdo. Mas, no convívio com estas pessoas, observando como elas eram bem preparadas, percebi que era possível”, relatou.

A filha mais velha de Rafaela possui diagnóstico de autismo nível 1. Já o filho mais novo, atualmente com 13 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido como TDAH. Ambos passaram a estudar em casa há cerca de seis anos.

De acordo com a mãe, as dificuldades enfrentadas pelos filhos dentro da escola tradicional foram determinantes para a mudança. Ela afirma que o modelo convencional não conseguia atender adequadamente as características individuais das crianças.

No caso do filho mais novo, a rotina escolar gerava constantes problemas de adaptação. Segundo Rafaela, apesar de demonstrar interesse pelos estudos, ele tinha dificuldade para permanecer longos períodos sentado em sala de aula.

“Ele gosta de ler, de estudar, mas não conseguia ficar parado na carteira, fechado em uma sala, por oito horas seguidas. Todos os dias eu recebia telefonemas da escola. Em casa, ele se adaptou muito bem e evoluiu muito rápido”, contou.

O homeschooling é uma prática legalizada em diversos estados americanos e permite que os pais assumam diretamente a responsabilidade pela educação dos filhos, seguindo exigências e regras definidas pelas legislações locais. Nos Estados Unidos, milhões de estudantes utilizam atualmente esse formato de ensino, que ganhou ainda mais visibilidade nos últimos anos.

Defensores do modelo argumentam que o ensino domiciliar oferece maior personalização do aprendizado, permitindo adaptar conteúdos, métodos e ritmos às necessidades específicas de cada estudante. Já críticos apontam preocupações relacionadas à socialização, à supervisão pedagógica e ao acompanhamento do desenvolvimento acadêmico.

No caso da família Burress, a experiência é considerada positiva. A conclusão do ensino médio da filha representa um marco importante após anos de adaptação e planejamento educacional. Enquanto ela inicia uma nova etapa da vida acadêmica, o irmão mais novo segue estudando em casa e se aproxima da conclusão dos ciclos iniciais de ensino.

A cerimônia de formatura organizada pelas famílias simbolizou não apenas o encerramento de uma etapa escolar, mas também o reconhecimento de um modelo educacional alternativo que vem ganhando espaço entre famílias que buscam soluções mais individualizadas para seus filhos.

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