Aeronave, que transportava 60 passageiros e quatro membros da tripulação, envolveu-se em uma tragédia considerada uma das mais letais nos Estados Unidos
William Oliveira Publicado em 30/01/2025, às 12h34
Uma colisão devastadora entre um jato regional da American Airlines e um helicóptero Black Hawk do Exército dos Estados Unidos resultou na morte de mais de 60 pessoas, de acordo com relatos iniciais. O acidente ocorreu no gelado rio Potomac, nas proximidades do Aeroporto Nacional Reagan, em Washington, D.C.
O chefe dos bombeiros do Distrito de Columbia, John Donnelly, declarou em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira que as chances de sobreviventes são praticamente inexistentes.
"Não acreditamos que haja sobreviventes", afirmou Donnelly, acrescentando que 28 corpos já haviam sido recuperados das águas geladas.
A tragédia é uma das mais letais nos Estados Unidos em mais de uma década. A American Airlines confirmou que a aeronave transportava 60 passageiros e quatro membros da tripulação, enquanto o helicóptero realizava um voo de treinamento com três soldados a bordo.
O senador Roger Marshall, do Kansas, de onde o voo partiu, expressou sua consternação, afirmando que a maioria dos ocupantes do jato provavelmente não sobreviveu. "É extremamente doloroso perder tantos cidadãos ao mesmo tempo", disse ele durante a coletiva.
A CBS News informou que uma equipe de mergulho conseguiu recuperar uma das caixas-pretas do jato acidentado, informação essencial para entender as causas da colisão.
O acidente ocorreu enquanto o jato se aproximava para aterrissar em Reagan. Comunicações registradas indicam que a tripulação do helicóptero estava ciente da presença do avião próximo. Sean Duffy, secretário de Transportes dos EUA, afirmou que ambas as aeronaves operavam dentro dos padrões normais.
O Pentágono já iniciou uma investigação sobre o incidente. Em uma postagem nas redes sociais, o ex-presidente Donald Trump questionou as decisões tomadas pela tripulação do helicóptero e pelos controladores de tráfego aéreo durante uma noite clara. "Parece que essa situação deveria ter sido evitada", escreveu ele.
Gravações das comunicações de controle aéreo revelaram os momentos finais antes da colisão. Um controlador alertou a tripulação do helicóptero sobre a presença do CRJ, o jato da American Airlines. Logo após esse aviso, testemunhas relataram ter visto uma explosão iluminando o céu noturno.
Os esforços de resgate continuam, mas muitos familiares dos ocupantes estão angustiados pela falta de informações oficiais. Uma fonte relatou ver um homem visivelmente abalado no local durante a madrugada.
Entre os passageiros estavam atletas de patinação artística dos Estados Unidos, retornando de um campeonato em Wichita. Informações indicam que ex-campeões mundiais russos também estavam a bordo, o que levou o Kremlin a expressar condolências às famílias enlutadas.
Donnelly destacou que cerca de 300 socorristas continuam envolvidos nas operações de resgate, em condições desafiadoras. O frio extremo e ventos fortes representam riscos tanto para possíveis sobreviventes quanto para os socorristas.
A hipotermia é uma preocupação crítica nas operações em andamento. Especialistas alertam que, em temperaturas tão baixas quanto as do rio Potomac, a temperatura central do corpo humano pode cair rapidamente, colocando todos os envolvidos em risco elevado.