Profissionais da imprensa estavam em videoconferência quando ataque ocorreu; Fenaj relata situação alarmante
William Oliveira Publicado em 26/09/2025, às 11h11
Na tarde da última quinta-feira (25), uma tenda utilizada como abrigo para jornalistas palestinos na Cidade de Gaza foi alvo de um ataque aéreo das forças armadas israelenses. O incidente ocorreu logo após os profissionais participarem de uma videoconferência com repórteres brasileiros, organizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em parceria com o Sindicato dos Jornalistas da Palestina e a Embaixada da Palestina no Brasil.
De acordo com a Fenaj, pelo menos 20 jornalistas estavam no local, conhecido como Centro de Solidariedade de Jornalistas em Gaza. O embaixador palestino, Ibrahim Alzeben, afirmou que até o início da tarde não havia relatos de vítimas. Fontes próximas ao sindicato local confirmaram que os profissionais conseguiram escapar sem ferimentos. Desde outubro de 2023, a Cidade de Gaza tem sofrido forte destruição devido a ataques israelenses.
Durante o encontro virtual, os líderes sindicais Naser Abu Baker e Tahseen al Astal, presidente e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas da Palestina, apresentaram dados alarmantes sobre a situação da imprensa na região. Dos cerca de 1.600 jornalistas registrados na Faixa de Gaza, 252 foram mortos desde o início da ofensiva militar israelense, cerca de 400 ficaram feridos e aproximadamente 200 estão detidos. Além disso, pelo menos 600 familiares desses jornalistas foram vítimas fatais do conflito.
Segundo relatos, jornalistas sobreviventes frequentemente têm suas casas destruídas, forçando-os a se deslocar repetidamente. O Sindicato dos Jornalistas da Palestina reporta ainda que 647 residências pertencentes a membros da imprensa foram destruídas durante a ofensiva.
Desde o início da ocupação israelense há dois anos, cerca de 3.400 jornalistas foram impedidos de entrar na Faixa de Gaza, incluindo 820 cidadãos norte-americanos, segundo relatórios do sindicato.