Apostas sob suspeita

Apostas sobre guerra entre EUA e Irã geram investigação e levantam suspeita de informação privilegiada

Parlamentares norte-americanos pedem apuração após apostadores lucrarem mais de US$ 1,2 milhão horas antes de ataques que mataram o líder supremo iraniano.

Horas antes dos ataques dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo do Irã, apostadores lucraram mais de US$ 1,2 milhão. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 10/03/2026, às 12h37

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A revelação de apostas milionárias feitas pouco antes dos ataques que desencadearam a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte reação política em Washington e abriu um debate sobre possível uso de informação privilegiada em mercados de previsão online.

Parlamentares norte-americanos pediram investigação após dados apontarem que seis contas lucraram cerca de US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 6,3 milhões) em apostas feitas pouco antes dos bombardeios que atingiram a capital iraniana, Teerã.

Os ataques aéreos foram realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro e resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, intensificando o conflito no Oriente Médio.

As apostas foram realizadas principalmente na plataforma Polymarket, onde usuários podem investir dinheiro prevendo acontecimentos globais. Segundo dados divulgados pela empresa de análise blockchain Bubblemaps, as apostas vencedoras foram feitas poucas horas antes dos bombardeios, o que levantou suspeitas de que alguns usuários poderiam ter acesso a informações antecipadas sobre a operação militar.

No total, apostas relacionadas ao ataque dos EUA ao Irã movimentaram cerca de US$ 529 milhões na plataforma. Outros US$ 150 milhões foram apostados especificamente na possibilidade de Ali Khamenei deixar o poder.

O caso ganhou repercussão política quando parlamentares democratas cobraram explicações públicas. O senador Chris Murphy classificou a situação como preocupante e afirmou que pretende apresentar uma legislação para impedir apostas envolvendo conflitos militares.

Segundo ele, permitir que pessoas lucrem com possíveis informações antecipadas sobre decisões de guerra pode criar incentivos perigosos e afetar a segurança internacional.

Outro parlamentar que cobrou esclarecimentos foi o deputado Mike Levin, que afirmou nas redes sociais que mercados de previsão não podem servir como instrumento para lucrar com decisões militares confidenciais.

O governo do presidente Donald Trump negou qualquer irregularidade. Um porta-voz da Casa Branca declarou que as decisões da administração são tomadas exclusivamente com base no interesse nacional dos Estados Unidos.

O debate também reacendeu discussões sobre a legalidade dos chamados mercados de previsão — plataformas onde usuários apostam em eventos do mundo real, como eleições, indicadores econômicos e conflitos internacionais.

Esses sistemas funcionam por meio de contratos de “sim ou não”, nos quais o valor da aposta varia de acordo com a probabilidade atribuída ao evento. Caso a previsão se confirme, o apostador recebe o pagamento.

Embora esse tipo de mercado esteja em rápida expansão global, especialistas afirmam que a regulamentação ainda é limitada e muitas plataformas operam em uma área cinzenta da legislação.

A Commodity Futures Trading Commission, agência que regula parte do mercado de derivativos nos Estados Unidos, estuda criar uma estrutura federal para supervisionar essas plataformas e evitar possíveis abusos.

Enquanto isso, a suspeita de que apostas milionárias possam ter sido feitas com base em informações confidenciais sobre operações militares continua gerando pressão política e pedidos de transparência.

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