Ex-presidente caiu em 2022 após anunciar dissolução do Congresso em pronunciamento nacional
Gabriela Nogueira Publicado em 27/11/2025, às 16h21
O ex-presidente do Peru Pedro Castillo foi condenado a onze anos de prisão por tentativa de golpe, quase dois anos após sua detenção em dezembro de 2022. A Justiça peruana anunciou a decisão nesta quinta-feira, concluindo o processo que investigou a dissolução do Congresso e a tentativa do então mandatário de governar por decreto.
Castillo foi retirado do cargo em 7 de dezembro de 2022, no mesmo dia em que anunciou, em cadeia nacional, que o Parlamento seria dissolvido. A medida desencadeou uma crise institucional imediata e levou milhares de pessoas às ruas. Os confrontos registrados no período resultaram em cerca de cinquenta mortes, aumentando ainda mais a pressão política sobre a continuidade do governo.
A promotoria acusou o ex-presidente de ser coautor do crime de rebelião e de provocar grave perturbação da ordem pública. Para sustentar as acusações, foram reunidos sessenta e cinco documentos e o depoimento de setenta testemunhas, um conjunto de evidências considerado determinante para a sentença. Castillo, no entanto, sempre negou que tenha tentado dar um golpe de Estado e afirma que sua decisão foi uma resposta a um ambiente político que classificava como hostil e paralisado.
Desde a destituição, o ex-presidente aguardava a sentença sob prisão preventiva, enquanto manifestações esporádicas continuavam a ocorrer em seu apoio. A condenação representa mais um capítulo da instabilidade política que marca o Peru nos últimos anos, marcada pela troca constante de presidentes e conflitos entre o Executivo e o Legislativo.
Com a decisão da Justiça, Castillo seguirá preso cumprindo a pena estabelecida, mas sua defesa ainda pode recorrer. O caso segue repercutindo no país, reacendendo debates sobre os limites do poder presidencial e a crise institucional que continua a desafiar a democracia peruana.