Por Marauê Carneiro Publicado em 17/03/2026, às 11h30
A história de Valdinei de Carvalho, conhecido como Nei, é daquelas que traduzem com precisão o espírito empreendedor do interior brasileiro. Nascido em Pilar do Sul, no interior de São Paulo, ele começou a trabalhar ainda criança — e nunca mais parou.
Hoje, aos 53 anos, Nei está à frente de uma operação que se consolidou como uma das protagonistas no mercado de grãos no país. Mas o caminho até aqui começou de forma simples: com um caixote de engraxate, a venda de galinhas e gado e o trabalho duro ao lado do pai na lavoura de feijão.
Desde cedo, já demonstrava uma mentalidade pouco comum para a idade. Aos 12 anos, convenceu o pai a quitar uma dívida para evitar o pagamento de juros — um sinal claro de sua aversão a prejuízos e visão financeira precoce.
A virada veio em 1989. Aos 16 anos, recém-casado e já pai, Nei recebeu o conselho de um corretor de grãos amigo da família: sair da roça e entrar no comércio. Decidido a tentar, comprou 50 sacos de feijão de produtores locais e os levou até a capital paulista para vender na Bolsa de Cereais.
O resultado foi imediato: dobrou o capital na primeira operação. Mais do que um bom negócio, aquele momento marcou o início de uma trajetória que ganharia escala ao longo das décadas seguintes.
Durante mais de 20 anos, Nei construiu sua operação praticamente sozinho. Trabalhava de forma intensa, muitas vezes dormindo apenas quatro horas por dia, e assumia todas as etapas do processo — da carga dos caminhões ao pagamento dos produtores. A dedicação extrema foi fundamental para consolidar sua reputação no setor.
Em 1999, dez anos após a primeira venda, veio um marco importante: a construção do primeiro silo em Pilar do Sul. A partir dali, o negócio começou a ganhar musculatura. Além do feijão, a empresa passou a atuar com milho, soja, sorgo e trigo, ampliando sua presença no mercado e diversificando suas operações.
O crescimento continuou de forma consistente. Em 2019, a empresa deu um passo estratégico ao expandir suas atividades de comercialização e armazenagem para Minas Gerais. Cinco anos depois, já estava presente em todas as regiões do Brasil.
A consolidação veio com a entrada no mercado internacional. Em 2025, a empresa iniciou operações de trading, exportando grãos brasileiros para diversos países, conectando diretamente o produtor nacional ao mercado global.
Em 2026, a Ouro Safra alcança números expressivos: são 39 silos distribuídos em seis estados e 20 lojas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Uma estrutura que reflete não apenas crescimento, mas também uma estratégia consistente de expansão e proximidade com o produtor rural.
A trajetória de Valdinei de Carvalho é marcada por trabalho intenso, decisões ousadas e uma capacidade incomum de enxergar oportunidades. De um jovem que vendia feijão em sacos comprados no interior a um empresário com atuação nacional e internacional, sua história ajuda a explicar, em escala humana, a força do agronegócio brasileiro.