Fábio Behrend Publicado em 22/08/2025, às 09h14
PSOL x Vacinas
Os seis vereadores do PSOL votaram contra a alteração do plano diretor que permitirá a construção de fábricas de vacinas no Instituto Butantan, mesmo com o governo do estado prometendo diminuir o corte de árvores de 6.600 para 1.650, sendo apenas 150 nativas. Até o vereador Nabil Bonduki, do PT, que era contrário ao projeto, rendeu-se e votou a favor do PL 691/2025.
Explicando
Líder da bancada, Toninho Vespoli esclarece que o PSOL não é contra as fábricas de vacina, mas que o ideal seria construí-las em outro lugar. Ele aponta, além da remoção de árvores, a falta de estudos de mobilidade e de garantias de que haverá compensação ambiental adequada como motivos para o voto contrário. “Há outros projetos da prefeitura que também estão acabando com o meio-ambiente, como o incinerador em São Mateus, os túneis da Sena Madureira e o prolongamento da Marginal Pinheiros. Não há planejamento ambiental na cidade e, na pressa, eles enfiam tudo goela abaixo”.
Em pé de guerra
A eventual viagem da vereadora Zoe Martinez à Nova Iorque, para encontro com líderes estrangeiros, causou discussão acalorada no plenário. Num tom acima, como de costume, a vereadora Janaina Paschoal (PL) interrompeu a sessão e usou o microfone do plenário para reclamar da colega de partido Zoe Martinez. “A vereadora Zoe fica me perseguido nessa casa, e agora foi ali falar que eu sou chata . Eu não faço teatro, amiguinha, eu trabalho. Quer passear com dinheiro do povo”, bradou Janaina. Dedo em riste, Zoe respondeu “Eu sou presidente da Comissão de Relações Internacionais, tenho o direito, sim, de fazer essa casa se tornar internacional....Você tem que voltar a dar suas aulinhas e aprender a fazer política”. A discussão sobre a viagem de Zoe ficou para a semana que vem, no Colégio de Líderes.
Aliás...
Muita gente estranhou a decisão dos vereadores de realizar, desde a semana passada, o Colégio de Líderes a portas fechadas e sem transmissão de TV ou internet, como acontecia há anos. Na reunião, que acontece toda terça-feira, são discutidas as principais pautas da semana. “O objetivo é garantir um momento reservado para que os líderes e vereadores possam alinhar as pautas de votação e outros temas” diz a nota enviada à coluna.
Moradia Segura
Edison Farah, da Viva o Centro, comemora o lançamento do programa Moradia Segura, do Governo do Estado, que vai facilitar acesso a crédito para a casa própria para policiais e agentes penitenciários. “O centro de São Paulo tem muitos espaços que podem ser transformados em moradia para os agentes de segurança. Seria mais vida chegando ao centro, com moradores qualificados, o que certamente ajudaria na recuperação da região”, afirma. “A iniciativa viabiliza ferramentas para melhorar a condição de trabalho e de vida dos policiais que estão na linha de frente no combate à criminalidade. Essa é mais uma promessa da gestão que conseguimos tirar do papel para valorizar nossos policiais”, disse o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite.
Carta aberta ao governador
Cinco entidades que representam guincheiros, pátios de veículos, peritos avaliadores e leiloeiros lançam hoje carta aberta pedindo ao governador Tarcísio de Freitas que reveja o projeto de concessão do serviço de recolhimento e guarda de veículos no Estado, em fase final de elaboração. Segundo as entidades, a minuta da concessão prevê aumentos superiores a 300% nas taxas pagas pelo cidadão que tiver um carro apreendido. Além disso, o modelo de concessão, com outorga mínima de 160 milhões de reais, inviabiliza a participação das mais de 400 empresas que atuam no setor, na maioria familiares, que estariam “sufocadas financeiramente” pela suspensão dos leilões de veículos apreendidos e podem deixar sem emprego cerca de 50 mil trabalhadores. Em média eram realizados mais de 200 leilões por ano em SP. Nos dois últimos anos, apenas 8 foram realizados, segundo as entidades. Veja abaixo a íntegra da carta.
Carta aberta ao Governador Tarcísio de Freitas:
São Paulo, 22 de agosto de 2025
Caro Governador Tarcísio de Freitas, não nos mate!
A APPAGESP (Associação dos Proprietários dos Pátios e Guinchos do Estado de São Paulo), juntamente com o SEGRESP (Sindicato das Empresas e Proprietários de Serviços de Reboque, Resgate, Guincho e Remoção de Veículos de São Paulo), SINGUESP (Sindicato dos Guincheiros do Estado de São Paulo), SINDVIST (Sindicato Patronal das Empresas de Vistorias do Estado de São Paulo), SINDESMONTE (Sindicato das Empresas de Desmonte de Veículos e Comércio de Peças do Estado de São Paulo), profissionais leiloeiros e peritos avaliadores do estado, vêm através desta solicitar à V.Exa que interrompa o processo que propõe conceder, em blocos gigantescos, a gestão dos pátios e dos leilões de veículos apreendidos a grandes grupos econômicos.
Acreditamos, Sr. Governador Tarcísio, que o modelo proposto é centralizador, lesivo ao interesse público e vai dizimar uma cadeia produtiva formada, em sua imensa maioria, por empresas familiares, profissionais autônomos e microempreendedores.
A proposta, tal como estruturada, destrói economias locais, inviabiliza a atuação dos municípios e impõe prejuízos severos ao cidadão, que será duplamente penalizado: no bolso e no acesso ao serviço.
Essa política proposta por seu governo rompe completamente com o compromisso de campanha assumido com nossa categoria, de regulamentar o setor. Abandona também, justamente, a base social e econômica que o elegeu — trabalhadores, microempresários, lideranças municipais e comunidades inteiras que apostaram na renovação e agora se veem à míngua, diante da força avassaladora de um projeto que só permite a participação de grandes conglomerados privados.
Além disso, está muito claro que o cidadão paulista vai pagar muito mais caro!
Sob o modelo proposto, o valor cobrado pelas tarifas de remoção, permanência e liberação de veículos poderá sofrer aumentos superiores a 300% no caso de caminhões, de 71% para veículos menores e de mais de 40% para motocicletas.
Essa elevação brutal recairá diretamente sobre o cidadão, que já enfrenta perdas, burocracia e dificuldades financeiras. O trabalhador será duplamente punido: além da apreensão do veículo, sairá muito mais caro reavê-lo.
Governador, você sabe que poderá ser necessário viajar até 200 km para recuperar um veículo apreendido? Sem regionalização, e com a concentração dos serviços em poucos locais, o usuário poderá ser forçado a percorrer centenas de quilômetros para ter acesso a seu próprio bem. Hoje são mais de 260 pátios no estado. O modelo proposto prevê apenas 125. Isso não é justo.
Municípios e prestadores de serviços locais serão sacrificados com sua proposta, que ignora totalmente a estrutura já existente em centenas de cidades paulistas, onde pátios operam com eficiência, geram empregos e aquecem o comércio local. Estamos, como o senhor bem sabe, sufocados financeiramente pela suspensão dos leilões nos últimos dois anos. Eram mais de 200 por ano no estado inteiro e, nesse período, apenas 8 aconteceram. Com o fatiamento do estado em apenas 7 grandes lotes, nenhuma de nossas 400 empresas terá condições de participar da concessão, que prevê outorgas superiores a 160 milhões de reais.
Será a destruição do trabalho de uma vida inteira das famílias que atuam no setor e geram mais de 50.000 empregos em centenas de municípios, que também vão sofrer com o desemprego causado por essa proposta predatória.
A municipalização é o modelo já adotado em diversos estados. O caminho mais justo e eficiente é a descentralização e o fortalecimento da autonomia dos municípios. Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Espírito Santo, Santa Catarina — todos adotaram modelos regionais ou municipais, mais próximos da realidade local, sem sufocar o cidadão e sem destruir quem trabalha de forma séria e comprometida há décadas.
Sabemos que há problemas no nosso setor e o senhor sabe de nossa luta histórica, de mais de 20 anos, pela regulamentação. Assim como o senhor disse em Bauru no mês de julho, também queremos “combater os malfeitos”. Foi por isso que votamos no senhor. Acreditamos em sua proposta de mudança, não nos vire as costas agora. Essa proposta não é de modernização — é de concentração, elitização e exclusão de quem não tem poder econômico.
Não somos contra a concessão dos serviços, o senhor sabe disso. Mas confessamos estar chocados, desde janeiro do ano passado, com as sucessivas negativas do Detran e da Secretaria de Investimentos e Parcerias aos nossos pedidos de reuniões e esclarecimentos. E perplexos agora, depois de não termos nenhuma de nossas perguntas respondidas durante as 7 audiências públicas realizadas entre os últimos dias 21 de julho e 7 de agosto em 7 regiões do estado.
Sr. Governador, decidimos tornar público nosso receio e nossa indignação através desta carta, como maneira de sensibilizá-lo para uma questão vital para nossa sobrevivência, é fato, mas também, e principalmente, como forma de evitar que um projeto de concessão lesivo aos cofres públicos e ao bolso dos cidadãos, e que vai criar um monopólio em detrimento de centenas de empresas, seja levado adiante.
Não nos mate, Tarcísio.
Atenciosamente,
APPAGESP
SEGRESP
SINGUESP
SINDVIT SP
SINDESMONTE
Porta-voz: Fábio Gregório, empresário e diretor da APPAGESP
📞 (14) 99682-0019