Fábio Behrend Publicado em 03/10/2025, às 10h10
PSIU garantido (por enquanto)
Para Ricardo Nunes ainda não é o momento para pensar em alterar a Lei do Silêncio em São Paulo. “Ainda é cedo, a gente precisa amadurecer isso, discutir com a sociedade, pesquisar quais os reais limites de decibéis que geram a incomodidade. Temos que lidar com isso lembrando que todo mundo tem direito ao descanso. Não tem pressa para tomar essa decisão” disse o prefeito, lembrando que os pancadões na periferia têm sido alvos frequentes de fiscalizações da prefeitura. “É um nível de coragem do nosso pessoal da ponta, muito grande”, afirmou Nunes, destacando ações realizadas nas subprefeituras de Itaquera e São Mateus em conjunto com as polícias municipal (GCM), civil e militar.
Grandes eventos
“A gente tem que tomar um cuidado muito grande com os empregos que estão sendo gerados. Veja o mês de setembro, São Paulo está bombando, muito por conta dos eventos que a gente fez. Isso não quer dizer que uma pessoa que queira ter tranquilidade e sossego possa ser incomodada”, disse Nunes referindo-se aos recentes eventos no Vale do Anhangabaú, que vararam madrugadas com som extremamente alto. Para o prefeito é preciso conciliar interesses, mas respeitando os limites sonoros previstos na legislação.
Primeiras atitudes
“Recebemos muitas reclamações do Vale do Anhangabaú. Sentamos com a concessionária, eles mostraram um plano de reordenação do sistema sonoro, de colocação das caixas (de som). Parece que resolveu. E se não resolveu a gente vai voltar a discutir para solucionar. A gente não vai ter uma situação de gerar incomodidade para as pessoas e não tomar nenhuma atitude, isso com certeza absoluta não”.
Amanhã...
...tem evento no Anhangabaú. Projeto Aquarius, em comemoração aos 100 anos da Rede Globo. “Sob a batuta do maestro Wagner Polistchuk, a Orquestra Experimental de Repertório promove a conexão entre a música erudita e a popular”, diz o ofício enviado pela Viva o Vale (do grupo W Torre) em resposta à notificação enviada pelo secretário Fabrício Cobra, das subprefeituras, cobrando providências para que não se repita o inferno sonoro dos festivais de música eletrônica dos últimos finais de semana. No documento, a concessionária afirma que alterou o horário do evento, que vai terminar as 19h, para diminuir o impacto sonoro para a vizinhança.
“A tal lei”
No ofício a Viva o Vale também contesta a lei do silêncio. “Indubitavelmente se percebe que tal Lei não está aderente a uma megalópole como São Paulo”. O documento termina com a afirmação de que, pelo menos no espetáculo deste final de semana, estará tudo dentro dos conformes. “Assim, inquestionável que a conduta da Concessionária está em total conformidade com os parâmetros contratuais, legais e urbanísticos vigentes”.
O que diz o “pai do Psiu”?
O vereador Roberto Tripoli foi o autor da Lei do Silêncio, em 1994, aprimorada dois anos depois. Na campanha de 1992 Tripoli adotou o silêncio como plataforma eleitoral. Instalou duas cabines com isolamento acústico na calçada do Mappin, em frente ao Teatro Municipal. “As pessoas faziam fila para ouvir o som do silêncio no centro de São Paulo”. Na época, ele era o coordenador do primeiro grupo de estudos sobre poluição sonora na cidade, instalado pela então prefeita Luiza Erundina. Mas a lei só veio com Maluf prefeito. “Na época a sociedade apoiou, mas a Erundina não conseguiu dobrar a Câmara. Depois, com o Maluf, quem diria, deu tudo certo”, lembra o vereador que está no 9º mandato no Palácio Anchieta.
A força da grana
Tripoli concorda que a poluição sonora é um dos temas mais importantes da cidade atualmente. Lembra que o barulho, que há 30 anos incomodava, hoje fomenta progresso e desenvolvimento econômico, com eventos cada vez maiores e lucrativos. Ele resume com simplicidade o dilema urbano da poluição sonora. “O jogo agora não é mais com a sociedade civil. É com o poder econômico”. Esse é mais um problemão para Ricardo Nunes encarar de frente, meus amigos. E ainda vamos voltar ao assunto por aqui.