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Exclusivo: a saia justa entre MP e Câmara Municipal e a CPI do Jockey esquentando

Exclusivo: a saia justa entre MP e Câmara Municipal e a CPI do Jockey esquentando - Imagem: Divulgação / Richard Lourenço / Rede Câmara

Fábio Behrend Publicado em 27/03/2026, às 09h40

Como assim?

Em outubro, a promotora Karina Mori oficiou Prefeitura e Câmara Municipal sobre a necessidade de dar transparência total à destinação de emendas parlamentares. As respostas foram enviadas dentro do prazo estipulado, de dez dias. Acontece que as respostas da Câmara não teriam sido suficientes e a promotora decidiu então intimar o presidente Ricardo Teixeira e o vice, João Jorge, para depoimentos na próxima segunda-feira, as 14h30.

Indignação

O assunto foi parar no Colégio de Líderes da última terça-feira. Todos já estavam sabendo da intimação – obra da assessoria da liderança do PSOL, segundo apurei. O procurador chefe da Câmara, Paulo Baccarin, foi chamado à reunião e questionado pelos vereadores sobre ter ou não respondido as perguntas do MP feitas em outubro e por quais motivos a promotora estaria “enquadrando” presidente e vice do legislativo, numa atitude considerado hostil pelos parlamentares. Baccarin ficou indignado, explicou que havia respondido e deixado claro ao MP que as emendas de vereadores em SP não são impositivas, são sugeridas como anexos no orçamento da cidade, ficando o executivo responsável por atende-las, ou não. E que na resposta havia também a anuência do Tribunal de Contas do Município sobre o assunto. Ao final da reunião, com os ânimos mais calmos, Baccarin soltou a seguinte frase, enquanto se dirigia ao elevador. “Não é possível que ela (a promotora Karina Mori) não tenha lido nossa resposta. Não é possível”.

Tintin por tintin

No final, em reunião no início da tarde de ontem entre MP e procuradores da Câmara, tudo foi esclarecido minuciosamente e a intimação de Ricardo Teixeira e João Jorge foi suspensa. Leia na íntegra a nota da Câmara Municipal. “A reunião entre a Procuradoria da Câmara e o Ministério Público foi muito produtiva e esclarecedora. A promotora informou que havia recebido todas as informações enviadas pela Câmara, lido os documentos, mas que pairavam dúvidas, tendo em vista a complexidade da tramitação do Orçamento. Diante das informações levadas pela Procuradoria no encontro, a promotora declinou da necessidade de comparecimento do presidente e do vice-presidente para esclarecimentos na próxima segunda-feira, dia 30/3”.

Esquentando

O depoimento da arquiteta Ana Marta Ditolvo foi o primeiro “a dar molho” na CPI do Jockey. Primeiro porque foi ela própria que pediu para depor, afim de esclarecer as acusações de que teria emitido notas fiscais de serviços de restauro não realizados. Em segundo lugar, porque ela foi sem advogado, o que não é comum em CPIs e, mesmo assim conseguiu convencer os vereadores de que foi “usada”.

Laranja

A empresa de Ana Marta aparece na prestação de contas da Carollo Arquitetura pela realização de projetos financiados com recursos da venda de TDCs (Transferência do Direito de Construir), mas que nunca foram executados. Ela confirmou que presta serviços no Jockey Club há mais de uma década, mas sempre com recursos da Lei Rouanet, nunca para a própria instituição, sempre para locatários (como os bares e restaurantes) e jamais com recursos provenientes da venda de TDCs. “Há muitos anos fiz uma proposta para a Carollo para um projeto com TDCs, mas nunca recebi retorno, nem trabalhei com eles”. Segundo a prefeitura, a Carollo é suspeita de fraude na prestação de contas de projetos envolvendo TDCs no Jockey Club. Questionada pelos vereadores se havia procurado a polícia ou o Ministério Público, Ana Marta Ditolvo disse que não. “Devo ser muito tonta mesmo”, afirmou. Ela foi aconselhada a procurar um advogado para auxiliá-la na defesa da empresa e afirmou à coluna que vai seguir o conselho dos vereadores. “Preciso resguardar meus direitos e o nome da minha empresa. Não sou e nunca fui laranja de ninguém”, disse a arquiteta à coluna.

Próximos passos

Igor Carollo, dono da empresa acusada de fraude e investigada pelo MP, foi convidado a depor na CPI, mas a data não foi agendada. O mercado de TDCs deve ser esmiuçado pelos vereadores nas próximas sessões, com convites a empresários, arquitetos e advogados que atuam (e lucram muito) nesse segmento.

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