Fábio Behrend Publicado em 23/01/2026, às 09h16
Ano de eleição majoritária é quase sempre igual. Quem têm mandato pode trilhar 3 caminhos. Tentar se reeleger, buscar um cargo mais alto na escadaria eleitoral ou ficar onde está, trabalhando para eleger algum colega, parente ou parceiro político. Até aí, normal, é o jogo. Porém, esse ano, quase metade dos vereadores vão disputar vagas na Alesp ou na Câmara dos Deputados. 21 dos 55, pra ser exato. Isso sem falar de pelo menos 9 secretários do prefeito Ricardo Nunes que também serão candidatos, no mínimo.
Alessandro Guedes (PT), André Santos (Republicanos). Celso Gianazzi (PSOL), Dheison Silva (PT), Dr. Milton Ferreira (Podemos), Edir Sales (PSD), Fábio Riva (MDB), Gabriel Abreu (Podemos), Gilberto Nascimento (PL), Jair Tatto (PT), João Ananias (PT), Kenji Ito (Podemos), Marcelo Messias (MDB), Marina Bragante (Rede), Paulo Frange (MDB), Ricardo Teixeira (União), Roberto Tripoli (PV), Rute Costa (PL), Sansão Pereira (Republicanos), Senival Moura (PT), Silvão e Silvinho Leite (União), Silvia da Bancada Feminista (PSOL), Simone Ganem (Podemos) não vão disputar as eleições e permanecem na Câmara Municipal, só que por motivos distintos.
Alessandro Guedes, Dr. Milton Ferreira, Gabriel Abreu, João Ananias, Marcelo Messias, Marina Bragante, Senival Moura e Silvia da Bancada Feminista não serão candidatos para não “roubar” votos de outros candidatos de seus partidos. André Santos e Sansão Pereira vão trabalhar para reeleger colegas evangélicos (e de partido) com mandatos na Alesp e em Brasília. Celso Giannazi, Dheison Silva, Edir Sales, Fábio Riva, Gilberto Nascimento, Jair Tatto, Rute Costa, SIlvão, Silvinho Leite e Simone Ganem não serão candidatos pois tem compromissos assumidos com padrinhos políticos e/ou parentes que também vão disputar as eleições. Ricardo Teixeira vai e Roberto Tripoli deve se aposentar ao final da atual legislatura. Paulo Frange espera a eleição de algum colega de partido para sair da condição de suplente.
Kenji Ito, que se elegeu como Kenji Palumbo (foi chefe de gabinete do Delegado Palumbo na câmara antes dele ser eleito deputado federal, em 2022) não será candidato porque não conta mais com o apoio do ex-chefe e padrinho político. O motivo da briga foi a esposa do deputado federal, que chegou a ser assessora de Kenji no Palácio Anchieta, mas acabou exonerada.
Amanda Vettorazzo deve deixar o União Brasil e filiar-se ao recém fundado Missão (partido do MBL). Se trocar de partido, perde o mandato de vereadora. Luna Zarattini, que faz um mandato de muita visibilidade, tem cacife para se candidatar a uma vaga na Alesp (o pai dela, Carlos, é deputado federal e quer ser reeleito), mas “roubaria” votos do deputado Donato, o que não está nos planos da direção do PT. Sonaira Fernandes pode ser candidata a estadual ou federal, mas cumpre ordens diretas do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que tenta manter viva a influência da família em SP. O último que está em dúvida se sai ou não candidato é João Jorge (MDB), vice-presidente da CMSP e aliado do prefeito. A situação dele é confortável. Se sair candidato e não se eleger, continua vereador ou assume uma secretaria municipal.
Sidney Cruz (MDB) e Rodrigo Goulart (PSD) são vereadores licenciados. Sidney é secretário de Habitação, vai deixar o cargo até 4 de abril, retornar à Câmara Municipal e concorrer a vaga de deputado federal. “Foi um pedido do prefeito para ajudar a melhorar o quociente eleitoral do partido. Missão dada é missão cumprida”, afirmou à coluna. Rodrigo Goulart, secretário do Trabalho, afirma que se for procurado pelo presidente Kassab (do PSD), vou cumprir a missão, mas por enquanto pretendo seguir trabalhando com o prefeito Ricardo Nunes e ajudar meu pai (Antônio Goulart) a conquistar vaga na Assembleia Legislativa”.
... o prefeito Ricardo Nunes assiste de camarote o cenário da disputa presidencial pegando fogo. Ele sabe que pode virar candidato também, mas que isso não depende só dele. Depende de Tarcísio, Jair e Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto...