De Olho na Cidade, por Fábio Behrend

A má fase de Bolsonaro, Tarcísio em franca ascensão e a sucessão de Milton Leite

Ricardo Teixeira e João Jorge. - Imagem: Reprodução / Youtube| Reprodução / Redes Sociais

Fábio Behrend Publicado em 01/11/2024, às 09h09

Anistia, sucessão e traição

A sucessão de Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados pode acabar se transformando numa “nova facada” em Jair Bolsonaro. É que Lira negocia os cerca de 130 votos sobre os quais tem influência direta, ao mesmo tempo com PT e PL, cada partido com sua posição em relação ao PL 2858/2022, que perdoa os acusados dos crimes cometidos no dia 8 de janeiro e ficou conhecido como PL da Anistia. Afinal, não é difícil imaginar qual situação é mais provável: o PT apoiar a anistia que beneficiaria Jair Bolsonaro, ou o PL continuar sendo fisiológico como sempre foi. Falo apenas sobre uma possibilidade e a conclusão é sua, caro leitor, cara leitora.

O grande vencedor

Tarcísio de Freitas foi o grande vencedor das eleições em São Paulo. Além de conquistar 629 dos 645 municípios do estado com candidatos do próprio partido (Republicanos) ou de aliados, como PSD, PP, União Brasil, PL, Podemos e MDB, levou a melhor também nos “confrontos diretos” contra Bolsonaro, que venceu apenas em São José do Rio Preto, com Cel. Fábio Cândido, do PL. O governador não apenas atropelou Bolsonaro nas urnas paulistas, como também disse a aliados que não vai se filiar ao PL e não pretende concorrer à presidência em 2026.

Estratégia

Tarcísio acerta em cheio ao dizer que não será candidato ao planalto na próxima eleição. Não é assunto para agora. Porém, mesmo as declarações soando como cortina de fumaça, Tarcísio sabe que, mais importante do que garantir lugar na fila é aproveitar as oportunidades e ousar, ainda mais com a janela que se abriu para ele depois da avalanche de vitórias no maior estado do país, mostrando um cenário bastante favorável. Até depois do carnaval, pelo menos, a tendência é que o governador se concentre em sua gestão e diminua as aparições públicas, pra depois decidir que rumo tomar. O fato é que Tarcísio só não será candidato à presidência se não quiser.

Vidraça

Com os 208 prefeitos eleitos pelo PSD em São Paulo (891 no Brasil, pela primeira vez à frente do MDB), Gilberto Kassab virou vidraça para dirigentes de partidos como PP, Republicanos e, principalmente, o PL, todos insatisfeitos com a hegemonia do partido nas cidades. Considerado uma espécie de primeiro ministro de Tarcísio, o secretário da Casa Civil não tem grandes motivos para se preocupar com descontentamentos alheios. Além do resultado nas urnas, Kassab também conta com o respaldo do governador, que disse a interlocutores que a aliança com o PSD “veio para ficar”.

Depenado

Quem não para de encolher em São Paulo é o PSDB, que em 2020 elegeu 180 prefeitos no estado e agora, apenas 22. Resultado do distanciamento de seus dirigentes das bases, um processo que começou depois da morte de Mario Covas e foi turbinado quando João Dória, filiado desde 2001, colocou-se como candidato à prefeitura em 2016.

O poderoso Milton

Mesmo sem mandato a partir de 1º de janeiro, Milton Leite (União) continuará com grande influência na Câmara Municipal. Sem contar os dois assessores que ele transformou em vereadores, Silvão e Silvinho, Leite ainda pode emplacar seu sucessor no comando do legislativo. O favorito é Ricardo Teixeira, antigo aliado e correligionário. Entre 2013 e 2015, Teixeira foi secretário municipal do Meio Ambiente e das Subprefeituras e entre 2021 e 2023, secretário de Mobilidade e Trânsito – e responsável pela criação da faixa azul, exclusiva para motociclistas. Procurado pela coluna, Ricardo Teixeira não quis comentar o assunto e escreveu no WhatsApp “Passarinho na muda não pia”.

Correndo por fora

João Jorge, reeleito pelo MDB para o terceiro mandato, também está na disputa. Atual vice-presidente da Câmara, ele afirmou à coluna que “o caminho natural é buscar a presidência”. João Jorge lembrou que havia um acordo para que Milton Leite ficasse na presidência nos dois primeiros anos da atual legislatura e, nos dois últimos, seria a vez do PSDB. “Quando eu estava no PSDB meu nome seria o indicado. Mas o Milton permaneceu no comando. Além disso, sou do partido do prefeito e tenho todas as condições de assumir a presidência”. O vereador do MDB afirmou que deve se encontrar com Ricardo Nunes nos próximos dias para discutir o assunto.

Contato: deolhonacidade@spdiario.com.br

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