ABUSO NOS BASTIDORES

Treinador é acusado de filmar jogadoras no banho na República Tcheca

Jogadoras descobriram gravações clandestinas durante investigação policial. Técnico recebeu pena suspensa e punição limitada, provocando revolta no futebol europeu.

Caso de gravações clandestinas dentro de vestiário abala o futebol feminino da República Tcheca e gera pressão por punição internacional ao treinador. - Imagem: Dalibor Gluck / CTK via AP

Redação Publicado em 12/05/2026, às 09h50

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Um caso envolvendo invasão de privacidade e abuso de confiança chocou o futebol feminino da República Tcheca após atletas denunciarem que eram filmadas secretamente durante o banho por um treinador do clube 1. FC Slovácko.

As gravações vieram à tona durante uma investigação policial, quando as jogadoras foram chamadas para reconhecer imagens registradas clandestinamente dentro dos vestiários.

Entre as vítimas está a atleta Kristyna Janku, que relatou ter descoberto o caso apenas na delegacia.

“Precisamos assistir aos vídeos para nos identificar. Foi um choque absurdo. Você não acredita que isso pode estar acontecendo com você”, afirmou.

Segundo as investigações, o treinador Petr Vlachovsky escondia câmeras para registrar as atletas em momentos íntimos e ainda compartilhava os conteúdos com outro homem pela internet.

O caso ganhou repercussão internacional após relatos de que as gravações ocorreram durante anos sem que as jogadoras suspeitassem de qualquer irregularidade.

Kristyna afirmou que o ambiente do clube parecia familiar e seguro, o que tornou a descoberta ainda mais traumática.

“Durante muito tempo, acreditamos que éramos uma família. Hoje parece que convivíamos com uma pessoa completamente diferente”, disse.

Apesar da gravidade das acusações, a Justiça tcheca suspendeu a pena de prisão do treinador e determinou apenas cinco anos de proibição para atuar profissionalmente no país.

A decisão provocou indignação entre atletas e entidades esportivas. A Associação Tcheca de Jogadores de Futebol agora pressiona autoridades esportivas internacionais para que o treinador seja banido definitivamente do futebol mundial.

Para a representante sindical Marketa Vochoska Haindlova, a punição atual abre espaço para que o técnico continue trabalhando em outros países.

“Não pode existir a possibilidade de alguém simplesmente mudar de continente e seguir atuando normalmente após um caso tão grave”, declarou.

O episódio reacendeu discussões sobre segurança de mulheres no esporte, fiscalização dentro de clubes e mecanismos de proteção para atletas profissionais.

Kristyna afirmou que decidiu tornar pública a situação para tentar impedir novos casos.

“Não quero que nenhuma mulher, em qualquer modalidade esportiva, passe pelo que nós passamos”, afirmou.

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