Decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo barra pleito que reconduziria presidente com chapa única e levanta suspeitas sobre mudanças no estatuto da entidade
Ana Beatriz Publicado em 24/03/2026, às 14h32
A eleição para a presidência da Federação Paulista de Futebol (FPF), marcada para esta semana, foi suspensa por decisão liminar da Justiça de São Paulo, em um movimento que acirra a crise institucional no comando do futebol paulista. A medida foi determinada pela desembargadora Débora Vanessa Caús Brandão, que identificou indícios de irregularidades no estatuto da entidade e possíveis riscos à governança.
O pleito estava previsto para ocorrer com candidatura única do atual presidente, Reinaldo Carneiro Bastos, que comanda a federação desde 2015. A suspensão ocorreu após ação movida pela Liga Mauaense de Futebol, que questiona alterações recentes no estatuto da FPF, especialmente mudanças que ampliaram o limite de mandatos e permitiriam a permanência do dirigente no cargo.
Segundo a decisão judicial, há indícios de falhas no processo de aprovação dessas mudanças, incluindo dúvidas sobre a realização de assembleias e inconsistências na formalização das regras. A magistrada também apontou risco de “dano institucional” caso a eleição ocorresse sob normas contestadas, o que poderia gerar efeitos difíceis de reverter posteriormente.
Questionamentos sobre o estatuto
O principal ponto de contestação envolve a reforma estatutária aprovada pela entidade, que estabeleceu um novo limite de mandatos para a presidência. A Liga Mauaense argumenta que a mudança não seguiu os trâmites adequados e pode contrariar normas de entidades como CBF, Conmebol e Fifa, além da Lei Geral do Esporte.
Também foram levantadas suspeitas sobre:
Para a Justiça, esses elementos justificam a suspensão imediata do pleito até uma análise mais aprofundada do caso.
Eleição sem concorrência
Outro fator que chamou atenção foi o fato de a eleição contar com apenas uma chapa registrada. Reinaldo Carneiro Bastos seria reconduzido ao cargo sem disputa, já que seu principal possível adversário não conseguiu reunir o apoio mínimo exigido pelo estatuto da federação.
O regulamento interno da FPF exige apoio de clubes de diferentes divisões para validar uma candidatura, o que acabou inviabilizando concorrentes e resultando em um cenário de candidatura única.
Investigação e novas suspeitas
Além das questões estatutárias, o caso também ganhou novos contornos com a revelação de investigações envolvendo a gestão da entidade. Segundo reportagens, o atual presidente é alvo de apurações que incluem suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica e possível lavagem de dinheiro.
Há ainda questionamentos sobre contratos firmados pela federação, incluindo acordos de patrocínio que estariam sob análise quanto à legalidade e conformidade com a legislação esportiva.
Reação da Federação
Em nota, a Federação Paulista de Futebol informou que tomou conhecimento da decisão judicial e que irá recorrer. A entidade afirma que pretende “fazer respeitar a vontade da totalidade dos clubes e ligas regulares que têm direito a voto”, defendendo a legitimidade do processo eleitoral.
A decisão determina a suspensão imediata da eleição e dá prazo para que a federação e o atual presidente se manifestem no processo.
Impacto no futebol paulista
A suspensão da eleição ocorre em um momento sensível para o futebol do estado, considerado o principal centro esportivo do país. A FPF é responsável pela organização de competições como o Campeonato Paulista, além de torneios de base e futebol feminino, exercendo papel estratégico no cenário nacional.
Especialistas apontam que a crise pode impactar a governança do futebol paulista, atrasar decisões administrativas e ampliar o debate sobre transparência e controle nas entidades esportivas.