Governo brasileiro comemora condenação de torcedores por racismo contra Vinícius Júnior

Decisão do tribunal espanhol impõe pena de prisão a cinco torcedores do Valladolid

Sentença na Espanha é vitória simbólica contra o preconceito nos estádios - Imagem: Reuters | Susana Vera

Lívia Gennari Publicado em 24/05/2025, às 20h35

O governo brasileiro manifestou nesta sábado (24) sua satisfação com a decisão judicial da Espanha que condenou cinco torcedores do clube Valladolid a um ano de prisão cada um, por ataques racistas contra o jogador brasileiro Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid.

A sentença, homologada pelo Ministério Público espanhol, é considerada um marco na luta contra o racismo nos estádios de futebol e reforça a cooperação entre Brasil e Espanha no combate à discriminação racial.

Relembre o caso

Os ataques racistas ocorreram em dezembro de 2022, durante uma partida válida pela LaLiga, principal campeonato espanhol. Segundo o Tribunal de Valladolid, os torcedores usaram expressões como “negro de merda” e reproduziram sons imitando macacos, em uma clara intenção de humilhar e ofender a dignidade do jogador por razões raciais.

A Justiça espanhola reconheceu o episódio como crime de ódio, que representa a primeira condenação no país que classifica manifestações racistas em eventos esportivos sob essa tipificação penal.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil destacou que essa decisão representa um avanço significativo na luta contra o racismo e a promoção da igualdade racial, principalmente no ambiente esportivo.

“O Brasil reitera seu firme compromisso com o combate a todas as formas de discriminação e enaltece a sentença como um passo relevante nessa batalha, especialmente no futebol, que é um dos espaços mais impactantes para o enfrentamento do preconceito”, afirmou o Itamaraty.

Para o Itamaraty, a cooperação bilateral demonstra o reconhecimento de que o racismo é um problema global que exige respostas firmes e coordenadas.

Vinícius Júnior, que atua no Real Madrid desde 2018, tem sido alvo recorrente de ataques racistas na Espanha. Além do episódio de dezembro de 2022, o jogador sofreu nova agressão verbal em fevereiro deste ano, durante um jogo contra a Real Sociedad pela Copa do Rei.

Na ocasião, dois indivíduos fizeram gritos e gestos de caráter racista e xenófobo contra o jogador, evidenciando a necessidade urgente de punições mais severas e de políticas efetivas para coibir esse tipo de crime.

O caso ganhou repercussão internacional não apenas pela gravidade das ofensas, mas também pela resposta rápida das autoridades brasileiras, que acompanharam o processo com atenção e colaboraram diretamente com a Espanha para garantir o cumprimento da legislação antirracista.

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