Copa do Mundo

Fifa mantém na Copa cinco jogadores acusados de estupro e explica por que não impede participação

Entidade afirma que não existe regra que proíba automaticamente atletas investigados ou processados por estupro ou agressão sexual de disputarem competições. Convocação é considerada responsabilidade das federações nacionais e casos seguem tramitando na Justiça de diferentes países.

A Fifa afirma que o regulamento não prevê impedimento automático enquanto os processos seguem em andamento - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 29/06/2026, às 16h32

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A presença de cinco jogadores que respondem a acusações ou investigações por estupro e agressão sexual na Copa do Mundo de 2026 voltou a gerar forte repercussão internacional. Em meio às críticas, a Fifa explicou por que permitiu que esses atletas fossem inscritos e permanecessem aptos para disputar o principal torneio do futebol mundial.

Segundo a entidade, não há atualmente nenhuma norma no regulamento da Fifa que determine o afastamento automático de jogadores apenas pelo fato de estarem sendo investigados ou responderem judicialmente por esse tipo de crime. A posição oficial da organização é de respeitar a legislação e os processos judiciais de cada país, entendendo que cabe às federações nacionais decidir sobre a convocação de seus atletas enquanto não houver impedimentos legais ou sanções esportivas específicas.

Os casos envolvem jogadores de diferentes seleções classificadas para o Mundial e voltaram aos holofotes às vésperas da fase eliminatória da competição.

Entre eles está o lateral Achraf Hakimi, do Marrocos, investigado na França por uma acusação de estupro apresentada em 2023. O atleta nega as acusações e o processo ainda não foi concluído pela Justiça francesa.

Também integra a lista o meio campista Thomas Partey, da seleção de Gana, que responde a acusações relacionadas a supostos crimes sexuais ocorridos no Reino Unido. O caso segue em tramitação e o jogador também nega qualquer irregularidade.

Pelo Japão, dois nomes aparecem na relação. O atacante Junya Ito foi acusado de abuso sexual após um episódio ocorrido em Osaka, em 2024. Ele sempre negou as acusações, enquanto o processo continua sendo analisado pelas autoridades japonesas.

Já o volante Kaishu Sano chegou a ser preso em 2024 sob suspeita de agressão sexual, sendo posteriormente liberado pelas autoridades. O caso gerou grande repercussão no futebol japonês, mas o atleta voltou a ser convocado para a seleção nacional.

O quinto jogador citado é Ryan Mendes, capitão da seleção de Cabo Verde. Ele é investigado por uma denúncia de estupro registrada por uma brasileira na Nova Zelândia. A Fifa informou que acompanha o caso e mantém contato com as autoridades responsáveis pelas investigações, mas afirmou que não comentará detalhes enquanto o procedimento permanecer em andamento.

A repercussão ganhou ainda mais força porque alguns desses atletas vêm sendo protagonistas dentro de campo durante a Copa. Kaishu Sano, por exemplo, marcou um dos gols da vitória japonesa sobre o Brasil, fazendo com que sua situação judicial voltasse ao centro das discussões internacionais.

Especialistas em direito esportivo destacam que a Fifa adota o princípio da presunção de inocência, previsto em diversos sistemas jurídicos ao redor do mundo. Dessa forma, a entidade evita aplicar punições esportivas antes da conclusão dos processos judiciais, salvo quando existem suspensões determinadas por órgãos disciplinares, decisões judiciais ou medidas cautelares específicas.

Apesar da justificativa jurídica, organizações de defesa dos direitos das mulheres e parte da comunidade esportiva defendem que a Fifa adote critérios mais rígidos para casos envolvendo violência sexual, especialmente durante grandes eventos internacionais que recebem audiência global.

Até o momento, a entidade não sinalizou qualquer mudança em seus regulamentos. Assim, a participação desses atletas permanece autorizada enquanto não houver decisões judiciais definitivas ou punições esportivas que impeçam sua atuação.

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