Julio César Manzur foi detido em nova fase da Operação Nexus II, que investiga narcotráfico e movimentação ilegal de recursos ligados a organização criminosa internacional
Lívia Gennari Publicado em 24/02/2026, às 14h16
A mais recente fase da Operação Nexus II, conduzida pelas autoridades paraguaias, revelou um suposto esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro envolvendo ex-jogadores de futebol, um ex-dirigente esportivo e outros cinco suspeitos.
Entre os detidos está Julio César Manzur, ex-atleta da seleção paraguaia e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, que também atuou pelo Santos Futebol Clube em 2006. Manzur, que jogou ao lado de Víctor Hugo Centurión no Club Olimpia durante a campanha que levou o time à final da Copa Libertadores de 2013, foi preso sob suspeita de integrar a logística de uma organização criminosa liderada pelo uruguaio Sebastián Marset, apontado pelas autoridades como narcotraficante de alto escalão.
Centurión, ex-goleiro do Olimpia, é acusado de organizar transportes, aeronaves, combustível e peças de manutenção dos veículos utilizados pelo grupo. Segundo o Ministério Público, ele teria usado sua carreira no futebol para criar contatos com outros grupos criminosos e facilitar a movimentação de grandes remessas de drogas e dinheiro.
Outro acusado detido é Luis Miguel Molinas Brítez, conhecido como “Moli”, ex-jogador de futsal do Cerro Porteño, que teria servido como elo entre integrantes da organização, mesmo de dentro da prisão. Dionisio Manuel Cáceres, ex-diretor esportivo do Rubio Ñu, segue foragido e seria responsável por organizar reuniões para negociações de entorpecentes, contando com a reputação de Centurión para dar credibilidade às tratativas.
Diego Benítez, ex-dirigente do Olimpia, também ligado ao esquema, é apontado por ter conexões com apreensões de toneladas de cocaína em portos europeus. Benítez está foragido, enquanto as autoridades seguem investigando o alcance internacional da rede.
As investigações indicam que os suspeitos realizaram viagens até a cidade de Capitán Bado para encontros com membros de outra facção criminosa. A operação tem como foco desarticular a estrutura supostamente comandada por Marset, que passou pelo futebol paraguaio em 2021 defendendo o Deportivo Capiatá e também permanece foragido, procurado por tráfico e lavagem de dinheiro em diversos países.