Comentários de Bastian Schweinsteiger durante transmissão da Copa do Mundo geraram críticas e reacenderam debate sobre estereótipos raciais no futebol europeu.
Redação Publicado em 24/06/2026, às 10h52
O ex-jogador e campeão mundial com a Alemanha Bastian Schweinsteiger tornou-se alvo de críticas e acusações de racismo após declarações feitas durante a transmissão da partida entre Alemanha e Costa do Marfim pela Copa do Mundo de 2026.
Atualmente comentarista da emissora pública alemã ARD, Schweinsteiger descreveu a seleção marfinense como praticante de um "futebol africano", caracterizado, segundo ele, como "pouco ortodoxo", "um pouco selvagem" e "nem sempre marcado pela tática".
As declarações foram feitas antes do confronto válido pela fase de grupos do Mundial e rapidamente repercutiram nas redes sociais e na imprensa internacional.
Críticos apontaram que as falas reproduzem estereótipos historicamente associados a visões coloniais sobre povos africanos, atribuindo aos atletas negros características ligadas à força física e improvisação, em detrimento de aspectos técnicos e táticos.
O jornalista alemão Philipp Awounou, em artigo publicado na revista Spiegel, afirmou que expressões como "selvagem" e "imprevisível" carregam uma longa herança de preconceitos raciais.
Especialistas também destacaram estudos acadêmicos que mostram que jogadores negros frequentemente são descritos por atributos físicos, enquanto atletas brancos tendem a receber elogios relacionados à inteligência tática e capacidade técnica.
Até o momento, Schweinsteiger não comentou publicamente a polêmica nem respondeu às acusações.
Dentro de campo, a Costa do Marfim apresentou uma atuação considerada sólida e organizada diante da Alemanha. A seleção africana abriu o placar com o capitão Franck Kessié e dificultou o jogo dos alemães, embora tenha acabado derrotada por 2 a 1.
Após a partida, o ex-jogador reconheceu a qualidade do adversário e escreveu nas redes sociais que a Costa do Marfim demonstrou "qualidade técnica e física", mas não mencionou a repercussão das declarações anteriores.
O episódio reacende o debate sobre linguagem, preconceito e representatividade no jornalismo esportivo, especialmente em grandes competições internacionais como a Copa do Mundo.