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De entregador a campeão: Alexandre Pantoja encara Joshua Van no UFC 323 com história de superação e paixão pelo Flamengo

O campeão dos moscas, Pantoja encara o prodígio Joshua Van em Las Vegas defendendo mais do que um cinturão.

Alexandre Pantoja em entrevista do UFC com a camisa do Flamengo - Foto: Reprodução/UFC

Jorge Simonsen Publicado em 04/12/2025, às 18h06

Alexandre Pantoja volta ao octógono neste sábado (6), em Las Vegas, para defender o título dos moscas no UFC 323. O campeão brasileiro enfrenta Joshua Van, jovem revelação da categoria e tratado nos bastidores como o novo prodígio da divisão. O duelo representa um choque de momentos: enquanto Van vive o início de uma curva ascendente, Pantoja sobe ao octógno levando a experiência de quem já atravessou fases bem mais duras do que qualquer luta programada.

A história de Pantoja é conhecida, mas nunca deixa de impressionar. Antes de se tornar campeão, o carioca enfrentou um período especialmente difícil durante a pandemia. Com poucos eventos acontecendo, bolsa reduzida e contas se acumulando, ele recorreu ao Uber Eats para manter a casa funcionando. Dividia o dia entre treinos e entregas, rodando horas pelas ruas da Flórida para garantir o básico. Enquanto isso, a esposa e os filhos tiveram de voltar ao Brasil temporariamente, em uma decisão que ele já descreveu como “uma das mais dolorosas” da vida.

Esse período, no entanto, moldou o lutador que o público vê hoje: disciplinado, comprometido com a família e com um senso de responsabilidade que transcende a profissão. É comum ouvir, nos bastidores do UFC, que Pantoja é um dos atletas mais respeitados do elenco, não apenas pelo que faz no cage, mas pela forma como encara o trabalho diário. Humilde, acessível e sempre disposto a valorizar quem o ajudou a chegar até aqui, ele construiu uma reputação sólida fora das câmeras.

A ligação com o Flamengo também faz parte dessa identidade. Pantoja nunca esconde o carinho pelo clube, que acompanha desde a infância. Em entrevistas, cita o time como símbolo de força emocional e de pertencimento, algo que o conectou ao Brasil em períodos longos longe de casa. Para muitos torcedores, o campeão representa exatamente o que gostam de ver num atleta rubro-negro: dedicação, raça e orgulho das próprias origens.

Do outro lado, Joshua Van chega ao UFC 323 embalado por uma vitória que mudou seu status na organização. Em julho de 2025, no UFC 317, ele superou Brandon Royval em três rounds de alto nível e virou o centro das atenções na categoria. Jovem, rápido e confiante, Van tem sido tratado como um talento raro, desses que aparecem de tempos em tempos e aceleram o ritmo da divisão.

É justamente esse contraste que torna o duelo deste sábado tão interessante. Pantoja é o campeão consolidado, com repertório amplo e maturidade competitiva. Van é o nome emergente, com fome e pouca pressão. Um busca provar continuidade; o outro, que chegou a hora dele.

Apesar das diferenças, ambos compartilham algo essencial para a categoria dos moscas: consistência. Van ainda tem um longo caminho a percorrer, mas mostrou disciplina e precisão na vitória que o levou ao title shot. Pantoja, por sua vez, sabe que a juventude do rival exige atenção máxima.

O brasileiro, no entanto, segue com a tranquilidade de quem já superou obstáculos bem mais complexos que um desafio dentro do octógono. A vida como entregador, a distância da família e a incerteza financeira ficaram para trás, mas continuam servindo como combustível. Pantoja costuma dizer que o cinturão é apenas parte da trajetória, e que ainda tem muito a entregar ao MMA.

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