Vice Harry Massis assume interinamente enquanto o processo de impeachment segue para votação final pelos sócios
Lívia Gennari Publicado em 17/01/2026, às 23h25
O presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, foi afastado temporariamente da presidência do São Paulo Futebol Clube nesta sexta-feira (16), após decisão do Conselho Deliberativo, que abriu caminho para o processo de impeachment. A votação, que reuniu conselheiros presencialmente e de forma digital, contou com 188 votos a favor, 45 contrários e dois em branco.
Com o afastamento, quem assume interinamente a presidência do clube é o vice Harry Massis Júnior, empresário de 80 anos. O mandato temporário permanecerá até que a Assembleia Geral dos sócios adimplentes se reúna para ratificar ou rejeitar a decisão, conforme determina o estatuto do clube. A sessão deve ocorrer em até 30 dias, e a destituição definitiva dependerá da aprovação por maioria simples dos associados.
Casares e dirigentes sob investigação
O afastamento ocorre em meio a múltiplas investigações envolvendo Casares e outros dirigentes. A Polícia Civil e uma força-tarefa do Ministério Público de São Paulo apuram supostos desvios de dinheiro do clube, como recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo pelo presidente, saques de R$ 11 milhões do caixa e aumento patrimonial repentino de dirigentes. Entre os casos sob análise, também está a venda clandestina de camarotes, que envolveria a ex-mulher de Casares e o diretor adjunto da base, Douglas Schwartzmann.
Em paralelo, o MP-SP conduz um inquérito civil que investiga responsabilidades financeiras, possíveis indenizações ao clube e decisões administrativas questionáveis, incluindo a gestão de fundos de investimento ligados à Galapágos Capital e a prescrição de medicamentos para atletas. Mais de 25 pessoas ligadas ao São Paulo, incluindo o CEO Márcio Carlomagno e o coordenador técnico Muricy Ramalho, devem ser ouvidas nos próximos dias.
O clube informou que o afastamento de Casares é imediato e que Massis Júnior permanecerá como mandatário até que a Assembleia Geral ratifique ou não a decisão do Conselho. O clima político no São Paulo segue tenso, com conselheiros e associados acompanhando de perto os desdobramentos, marcando um momento crítico para a gestão e a transparência do clube.