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Crise no Morumbi

Saques suspeitos e investigação policial ameaçam permanência de presidente do SPFC

Sob suspeita de irregularidades que envolvem R$ 11 milhões em saques do São Paulo Futebol Clube, o presidente Julio Casares terá seu futuro decidido nesta sexta-feira (16), durante votação de impeachment realizado pelo Conselho Deliberativo do clube

Investigação teve início após uma denúncia anônima - Imagem gerada por IA
Investigação teve início após uma denúncia anônima - Imagem gerada por IA

William Oliveira Publicado em 15/01/2026, às 07h00 - Atualizado às 07h28


O São Paulo Futebol Clube (SPFC) enfrenta um dos momentos mais turbulentos de sua história política e administrativa. Na próxima sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo se reúne para votar o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. O pleito ocorre sob a sombra de um inquérito da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de desvios financeiros e lavagem de dinheiro que pode ter lesado os cofres da instituição.

A investigação, conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, da 3ª Divisão de Crimes contra a Administração (Dicca), teve início após uma denúncia anônima. Segundo o delegado, o que inicialmente parecia ser uma série de irregularidades administrativas isoladas revelou-se, após análise de contratos e movimentações bancárias, uma "engrenagem delitiva" estruturada.

"Nós recebemos uma denúncia dando conta de que havia uma série de desvios estruturados e sistemáticos no âmbito do São Paulo Futebol Clube", afirmou o delegado.

O ponto central da apuração são 35 saques em espécie, realizados entre 2021 e 2025, que totalizam R$ 11 milhões.

  • "Modus Operandi": Após dois saques iniciais feitos por um ex-funcionário, o clube passou a utilizar uma empresa de transporte de valores (carros-fortes) para retirar dinheiro vivo diretamente na boca do caixa;
  • Pico de Movimentação: O ano de 2024 foi o mais crítico, com 11 retiradas somando R$ 5,2 milhões. Em 2025, os valores já alcançam R$ 1,7 milhão em apenas cinco saques;
  • Dificuldade de Rastreio: Para a polícia, o uso de transportadoras de valores em vez de transferências digitais é uma tática para dificultar o rastreamento do destino final do dinheiro.

Investigados

Além de Casares, outros nomes da alta cúpula e do entorno presidencial aparecem no inquérito:

  • Nelson Marques Ferreira: Ex-diretor-adjunto, é investigado pela criação atípica de cerca de 15 franquias e empresas em shoppings entre 2022 e 2023.
  • Mara Casares: Ex-esposa do presidente e ex-diretora de eventos, Mara se afastou do cargo após denúncias de venda clandestina de camarotes no Morumbi durante grandes shows. Um áudio do ex-diretor Douglas Schwartzmann sugere que o esquema possuía o aval de Mara.
  • Julio Casares: O Coaf identificou depósitos de R$ 1,5 milhão em espécie na conta conjunta que o presidente mantém com a ex-esposa entre 2023 e 2025.

De "Pitbull" a presidente

Julio Casares, presidente do São Paulo - Imagem: Reprodução / Joisel Amaral / AGIF
Julio Casares, presidente do São Paulo - Imagem: Reprodução / Joisel Amaral / AGIF

Julio Casares, 63 anos, construiu carreira como executivo de marketing no SBT e na Record antes de ascender ao poder no Morumbi. Conhecido historicamente como o "pitbull" do ex-presidente Juvenal Juvêncio, Casares foi eleito em 2020 e reeleito em 2023 em um pleito sem oposição.

Embora sua gestão tenha entregue títulos importantes, como a Copa do Brasil (2023) e a Supercopa (2024), o desgaste institucional provocado pelas investigações policiais colocou sua permanência em xeque.

Reservado quanto à vida pessoal, o marqueteiro foi casado com Mara Casares, com quem teve dois filhos, Deborah e Julinho Casares. Desde 2024, Casares se relaciona com a atriz Mara Carvalho, que integrou o elenco da TV Globo e teve um relacionamento anterior com Antônio Fagundes. Recentemente, seu filho, Julinho Casares, oficializou união com Laura Silva, filha do comunicador Fausto Silva.

Outro lado

As defesas dos envolvidos negam veementemente qualquer irregularidade:

  • SPFC: Sustenta que não é alvo da investigação, mas sim uma possível vítima. Afirma que os saques em espécie são contabilizados e destinados a despesas operacionais do cotidiano (arbitragem, alimentação e logística).
  • Defesa de Casares: Alega que os depósitos em sua conta pessoal têm origem lícita e lastro em sua longa carreira na iniciativa privada, sem qualquer conexão com os saques do clube.
  • Mara Casares e Douglas Schwartzmann: Afirmam que os áudios foram divulgados fora de contexto e que estão sendo vítimas de um "julgamento antecipado" e de uma campanha difamatória.

Quais são os próximos passos?

A votação de sexta-feira definirá o futuro político do clube. Para que o impeachment seja aprovado, é necessária a maioria absoluta dos votos do Conselho. Caso Casares seja destituído, o clube deverá convocar novas eleições conforme as normas estatutárias. Enquanto isso, a Polícia Civil segue montando o "mosaico" para identificar se o São Paulo foi, de fato, sistematicamente lesado.


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