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RESCISÃO

Médico do São Paulo acusado de vender caneta Mounjaro nega irregularidade

Caso gerou rescisão do contrato de Rauen com o clube

Eduardo Rauen nega venda de canetas emagrecedoras - Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Eduardo Rauen nega venda de canetas emagrecedoras - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

Jair Viana Publicado em 19/12/2025, às 08h42


Em meio a uma temporada marcada por um número histórico de lesões no elenco principal, o São Paulo se viu no centro de uma polêmica médica na última semana. A direção do clube foi obrigada a se pronunciar publicamente para negar que o uso de medicamentos à base de tirzepatida – princípio ativo do remédio Mounjaro, conhecido popularmente como "caneta emagrecedora" – tenha qualquer relação com o desfalque recorrente de jogadores em 2025.

Em entrevista, Rauen foi enfático: “Foram dois usos durante a permanência destes dois atletas na fisioterapia; foram atletas que não estavam nem jogando. Foi usado com critério, de acordo com o que tem que usar”.

Segundo o diretor, a aplicação do medicamento foi destinada a atletas com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 27,5 – classificado como sobrepeso ou obesidade leve – que também apresentavam dores articulares. A justificativa foi de que o tratamento ajudaria na recuperação, reduzindo o impacto nas articulações.

O que diz a nota oficial?

Horas depois das declarações de Rauen, o São Paulo emitiu uma nota oficial reforçando os argumentos e qualificando o caso como “falsa polêmica”. No comunicado, o clube listou seus principais pontos de defesa:

  • O tratamento foi individualizado e pontual, aplicado em apenas dois atletas profissionais, e não de forma generalizada;
  • O Mounjaro é regularizado pela Anvisa e fabricado pela Eli Lilly, um dos maiores laboratórios do mundo;
  • O uso seguiu prescrição e acompanhamento médico, dentro da legalidade;
  • É considerado “desonesto” relacionar a medicação ao alto número de lesões.

Apesar do tom de normalização, a nota deixou uma brecha sem resposta: o clube não comentou sobre a saída do médico responsável pelo departamento, levantando questionamentos sobre possíveis mudanças internas ligadas ao caso.

O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento originalmente desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que ganhou fama global por seu efeito colateral de intensa perda de peso. Seu uso no esporte, porém, é delicado.

A medicina esportiva aponta que, embora o remédio possa ser receitado para controle de peso, sua aplicação em atletas de alto rendimento exige extremo cuidado. O emagrecimento rápido pode levar à perda de massa muscular, afetar o metabolismo energético e, em última instância, aumentar o risco de lesões – justamente o que o São Paulo nega.

“Em teoria, um atleta com IMC elevado e dores articulares pode se beneficiar da redução de peso. Mas o acompanhamento tem que ser muito rigoroso, com dieta e fortalecimento específicos, para não prejudicar a performance ou a integridade física”, explica um médico de clubes, que preferiu não se identificar.

A polêmica ocorre em um momento sensível para o São Paulo. Em 2025, o time sofre com uma sequência incomum de lesões musculares e articulares, afastando titulares e comprometendo a campanha em diferentes competições. Esse cenário alimentou a suspeita de que algo além do acaso ou do desgaste físico estaria por trás dos problemas.

A explicação do clube, de que apenas dois atletas afastados usaram a medicação, tenta isolar o caso. No entanto, a falta de transparência sobre quais atletas foram tratados, por quanto tempo e qual foi o protocolo completo de acompanhamento mantém a desconfiança em parte da torcida e da imprensa.

O episódio levanta discussões mais amplas sobre os limites da medicina no esporte. Até onde os clubes podem ir em busca da otimização física dos atletas? O uso de medicamentos para fins não primários, mas com efeitos colaterais desejados, é ético?

Enquanto o São Paulo insiste que agiu com legalidade e critério, o Conselho de Ética da Federação Paulista de Futebol e a ANVISA podem ser acionados para avaliar a conformidade do tratamento. Por enquanto, a sombra da dúvida paira sobre o departamento médico tricolor – e a volta por cima na temporada pode depender, também, de uma resposta definitiva a esta polêmica. 

Procurado pela reportagem, o médico, em nota, negou a venda de cabetas para emagrecimento. 

Nota de Eduardo Rauen

 "A assessoria do médico Eduardo Rauen nega as insinuações de envolvimento em comercialização de qualquer medicamento. E informa que sua atuação no São Paulo Futebol Clube se limitou à avaliação clínica, diagnóstico e tratamento de jogadores. Apenas dois atletas receberam a indicação de uso de caneta emagrecedora durante um período de recuperação no setor de fisioterapia. Eles estavam fora das partidas e todo o processo foi conduzido sob avaliação rigorosa e indicação baseada em critérios clínicos."


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