Cinema político

Filme sobre Melania Trump estreia em São Paulo com salas vazias

Obra é controlada pela primeira-dama dos EUA com orçamento milionário

Documentário continua em cartaz com sessões limitadas - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 31/01/2026, às 10h08

A estreia do documentário sobre Melania Trump nos cinemas de São Paulo passou longe de lotar salas ou gerar grande movimentação. Lançado mundialmente nesta sexta-feira, o filme chegou à capital paulista com poucos horários disponíveis e público reduzido, cenário que se repetiu em diferentes regiões da cidade ao longo do dia.

Em uma das sessões acompanhadas pela reportagem, em um shopping da Zona Oeste, havia apenas um espectador na sala no início da tarde. O horário em dia útil e o interesse restrito pelo tema ajudam a explicar o esvaziamento, segundo frequentadores. Ainda assim, o contraste entre o investimento milionário na produção e a recepção tímida chamou a atenção.

O documentário acompanha os dias que antecederam a posse de Donald Trump em 2025, quando o republicano retornou à presidência dos Estados Unidos. A narrativa é centrada na rotina e na imagem pública da primeira-dama, com foco em bastidores e momentos pessoais. Desde o anúncio, a obra vem sendo alvo de críticas por adotar um olhar excessivamente favorável, sem questionamentos ou contrapontos.

Especialistas e críticos apontam que o controle editorial exercido por Melania Trump sobre o conteúdo compromete o valor jornalístico do filme. A ausência de conflitos, temas sensíveis ou análises mais profundas reforçou a percepção de que se trata de um retrato cuidadosamente lapidado, distante de uma abordagem documental tradicional.

Outro ponto que tem gerado debate é o orçamento elevado. A produção recebeu um investimento estimado em US$ 75 milhões da Amazon MGM Studios, valor incomum para documentários do gênero. Parte significativa desse montante foi destinada a direitos de exibição e a uma campanha global de divulgação, o que aumentou as expectativas em torno do desempenho comercial.

Na prática, a estreia mostrou um cenário bem mais modesto. Em shoppings da Zona Sul e da região central, as salas também operaram com ocupação baixa, reunindo pequenos grupos de espectadores curiosos ou simpatizantes da figura retratada. Mesmo entre eles, as opiniões variaram entre interesse pontual pelos bastidores da política americana e avaliações cautelosas sobre o conteúdo apresentado.

A baixa procura não é um fenômeno restrito ao Brasil. Em cidades como Londres e Nova York, veículos internacionais relataram sessões esvaziadas e vendas tímidas de ingressos nos primeiros dias de exibição, levantando dúvidas sobre o alcance do filme fora de nichos políticos específicos.

Nos próximos dias, o documentário deve continuar em cartaz em São Paulo com apenas uma sessão diária na maioria dos cinemas, quase sempre no período da tarde. A programação reduzida indica que as exibidoras adotaram uma postura conservadora diante da expectativa de público.

A Amazon MGM Studios não comentou detalhes sobre a estratégia de distribuição no Brasil nem sobre o desempenho inicial do filme.

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