Denúncia de assédio

Ex-funcionárias acusam Julio Iglesias de assédio sexual, segundo investigação

Mulheres que trabalharam para o cantor relatam agressões, controle e humilhações

Depoimentos de ex-funcionárias expõem um ambiente de trabalho marcado por medo e retaliações sob o comando de Julio Iglesias - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 13/01/2026, às 13h56

O cantor espanhol Julio Iglesias enfrenta acusações de assédio sexual feitas por ex-funcionárias que trabalharam para ele em 2021. Os relatos fazem parte de uma investigação conjunta do portal espanhol elDiario.es com a emissora Univision Noticias, divulgada nesta terça-feira (13), e apontam episódios de abuso, constrangimento e práticas consideradas ilegais em residências do artista na República Dominicana e nas Bahamas.

Duas mulheres ouvidas pela reportagem afirmam que sofreram agressões e humilhações enquanto exerciam funções profissionais para o cantor. Uma delas, apresentada sob o nome fictício de Rebeca, conta que foi contratada como empregada doméstica e passou a viver sob regras rígidas, com circulação limitada, pouco contato com outros funcionários e episódios recorrentes de assédio sexual. Segundo o relato, o ambiente de trabalho era marcado pelo isolamento e pelo medo de retaliações.

Outra ex-funcionária, identificada como Laura, fisioterapeuta venezuelana, afirma que durante atendimentos profissionais Julio Iglesias teria adotado comportamentos invasivos e avançado além dos limites consentidos. Ela relata situações de pressão psicológica e tentativas de aproximação íntima, mesmo após demonstrar desconforto.

A investigação também reuniu depoimentos de outros trabalhadores que descrevem um sistema de controle intenso sobre a rotina das funcionárias. De acordo com a apuração, mulheres que atuavam nas propriedades eram submetidas a exames ginecológicos, testes de gravidez e de HIV, procedimentos que, segundo especialistas ouvidos pelos jornalistas, violam normas internacionais do trabalho e configuram discriminação de gênero.

Documentos médicos, mensagens, registros de chamadas e relatos de pessoas próximas às vítimas teriam sido analisados durante a apuração. Psicólogos e amigos das denunciantes afirmaram que tinham conhecimento das situações narradas ainda na época em que teriam ocorrido.

Procurado pelos veículos responsáveis pela investigação, Julio Iglesias não se manifestou. Uma assistente citada nas reportagens negou as acusações e declarou que o cantor sempre manteve uma postura respeitosa com mulheres que trabalharam ao seu redor.

Até o momento, não há informação sobre abertura de processos judiciais relacionados ao caso.

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