Fórmula 1

'Ele não era o mesmo': rival de Ayrton Senna revela detalhes dos últimos meses de vida do piloto

Ex-piloto francês, Alain Prost, revela mudanças no comportamento de Senna após sua aposentadoria e os desabafos do brasileiro sobre desafios e riscos na Fórmula 1

Ayrton Senna e Alain Prost - Imagem: Reprodução | IMAGO / LaPresse

Marina Milani Publicado em 07/12/2024, às 12h30

A rivalidade histórica entre Ayrton Senna e Alain Prost marcou uma era na Fórmula 1. Contudo, nos últimos meses de vida do piloto brasileiro, os dois deixaram as disputas de lado e construíram uma amizade marcada por conversas frequentes e reflexões profundas. Em entrevista à emissora francesa Canal+, Prost, que se aposentou em 1993, compartilhou lembranças do que vivenciou ao lado de Senna antes de sua trágica morte, em 1º de maio de 1994.

Mudança repentina

Prost revelou que, ao anunciar sua aposentadoria no pódio de Adelaide, em 1993, notou uma transformação imediata em Senna. “No momento em que parei, ele se tornou outra pessoa, completamente diferente. Nos seis meses antes de sua morte, conversávamos duas ou três vezes por semana”, disse Prost.

No domingo fatídico do GP de Ímola, Senna fez um pedido inusitado ao francês: que o visitasse nos boxes antes da corrida, algo que nunca havia ocorrido antes. “Ele estava se alongando e me chamou para conversar. Isso era incomum para ele”, contou Prost, visivelmente emocionado.

Durante essas conversas, Senna demonstrava frustração com a equipe Benetton, que tinha Michael Schumacher como piloto principal. “Ele estava convencido de que havia algo errado, que estavam trapaceando. Ele falava constantemente dos riscos e parecia extremamente inquieto”, relembrou Prost.

Além disso, Senna confidenciou ao francês que estava desmotivado para competir sem a presença do rival nas pistas. “Ele me dizia: ‘Volte, eu não estou motivado para correr com os outros’. Ele não parecia feliz na nova equipe e estava lidando com questões pessoais que o deixavam abalado.

Prost destacou que os meses de convivência mais próxima com Senna trouxeram um entendimento mútuo sobre as tensões da rivalidade. “Perdoamos todas as coisas que aconteceram. Vivemos momentos difíceis, mas também incríveis juntos. Isso é algo que carrego comigo até hoje.

Após a morte de Senna, Prost percebeu uma mudança entre os fãs da Fórmula 1. “Não havia mais ódio entre os fãs. Todos se uniram em torno de sua memória, o que foi algo muito bonito.”

A rivalidade histórica

Senna e Prost protagonizaram alguns dos capítulos mais intensos da Fórmula 1, especialmente durante os anos em que competiram juntos na McLaren, entre 1988 e 1989. Os embates dentro e fora das pistas foram marcados por manobras polêmicas, decisões de campeonato contestadas e tensões internas na equipe.

No entanto, a relação evoluiu com o tempo, culminando em uma amizade que muitos desconheciam. Hoje, aos 69 anos, Prost mantém viva a memória de Senna em homenagens e publicações, reforçando o impacto do brasileiro não apenas no esporte, mas na vida de quem o conheceu.

Senna era mais do que um rival, ele era um amigo em seus últimos meses. Isso é o que mais importa agora”, concluiu o tetracampeão mundial.

AYRTON SENNA formula 1 Alain Prost

Leia também