A Portela encerrou os desfiles do Grupo Especial com uma apresentação homenageando Milton Nascimento
Manoela Cardozo Publicado em 09/03/2025, às 11h28
A Portela encerrou os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro com uma apresentação arrebatadora, transformando a madrugada de Quarta-Feira de Cinzas em um espetáculo memorável. Última escola a entrar na Marquês de Sapucaí, a Azul e Branco de Oswaldo Cruz e Madureira conseguiu manter o público animado até o amanhecer ao prestar uma emocionante homenagem a Milton Nascimento com o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol”.
Antes mesmo do desfile começar, a escola já conquistava a arquibancada. No aquecimento, o intérprete Gilsinho, acompanhado pela bateria, entoou “Maria, Maria”, clássico de Milton Nascimento e Fernando Brant, fazendo o público cantar em coro. Aos 82 anos e diagnosticado com Parkinson há dois anos, o homenageado fez questão de comparecer e atravessou a avenida no último carro alegórico, emocionando os espectadores.
Com 102 anos de história, a Portela é a única escola de samba que participou de todos os desfiles do Rio de Janeiro e, até então, nunca havia homenageado um artista vivo. Com 27 alas, cinco alegorias, dois tripés e 2.500 integrantes, a agremiação fez um desfile grandioso, simbolizando uma procissão que partia do Rio rumo a Minas Gerais, onde Bituca foi criado e se tornou um dos maiores nomes da MPB.
A escola entrou na avenida com a bênção de Xangô pouco depois das 3h20. Na comissão de frente, intitulada “Vou partir em procissão”, os componentes vestiam figurinos dourados, representando tanto o sol – como a Portela se referiu a Milton Nascimento – quanto o brilho de sua trajetória musical.
O desfile foi marcado por emoção, beleza plástica e um enredo que ressoou com o público. No final, o “Sol” da MPB foi coroado, consolidando a apresentação como um dos momentos mais marcantes do Carnaval 2025.