Tecnologia

Jovem de 17 anos conecta escolas no Amazonas à internet da Starlink

Projeto articulado por Eric Bartunek garante conexão a cerca de 140 unidades e deve beneficiar 14 mil alunos

Eric Bartunek leva internet da Starlink a escolas isoladas da Amazônia. - Imagem: Reprodução/Redes Sociais.

Erika Osti Publicado em 22/02/2026, às 17h50

Aos 17 anos, o estudante paulistano Eric Bartunek conseguiu viabilizar a conexão de aproximadamente 140 escolas públicas da região amazônica à internet via satélite da Starlink, serviço da SpaceX. A iniciativa, construída a partir da articulação para doação de antenas, deve impactar cerca de 14 mil estudantes, segundo estimativa do Instituto Redes Conectadas, e já começou a sair do papel em municípios do interior do Amazonas.

O interesse de Eric pelo tema surgiu em 2022, após uma viagem a Sobral, no Ceará, com a Fundação Lemann. Filho de um dos maiores gestores de fundos do mercado financeiro, Florian Bartunek, Eric se surpreendeu com a qualidade da educação pública no município, visto que, os alunos de Sobral estavam acompanhando um currículo escolar próximo ao que ele aprendia em seu colégio privado na capital paulista.

Ao retornar para São Paulo, decidiu buscar formas de ampliar o acesso a oportunidades educacionais, especialmente em regiões mais isoladas do país. Durante pesquisas e conversas com organizações da área, ele identificou que a falta de conectividade ainda é um dos principais entraves para escolas públicas, sobretudo na região Norte. A partir daí, definiu a Amazônia como foco do projeto, por reunir grandes desafios de infraestrutura e forte simbolismo para o Brasil.

Inicialmente, a meta era conectar dez escolas em Manicoré. Para isso, Eric buscou apoio e conseguiu chegar a contatos ligados à SpaceX. Após insistir por uma resposta, apresentou a proposta à empresa, que naquele momento estruturava a iniciativa Starlink for Good, voltada a doações para escolas e hospitais. O que começou com a expectativa de dez antenas terminou com a confirmação de 140 equipamentos.

A instalação está sendo realizada com apoio da MegaEdu e do Instituto Redes do Futuro. As primeiras unidades já operam em Manicoré, e a previsão é que todas as escolas contempladas estejam conectadas até o fim de fevereiro. O custo dos equipamentos e da mensalidade no primeiro ano será coberto pela Starlink e por doações articuladas pelo estudante.

Especialistas destacam que a conectividade escolar ainda é um desafio relevante. Dados do Ministério da Educação indicavam que, em setembro de 2025, cerca de 35% das escolas públicas não tinham internet adequada. Embora o cenário tenha melhorado nos últimos anos, a maior concentração do problema segue na região Norte.

Além de beneficiar alunos e professores, a chegada da internet tende a impactar as comunidades do entorno. Em áreas isoladas, escolas costumam funcionar como pontos de apoio local, permitindo desde comunicação com serviços de saúde até maior integração entre gestores educacionais.

Eric afirma que pretende estudar economia e educação nos Estados Unidos ainda em 2026, mas diz que quer voltar ao Brasil para continuar atuando em projetos voltados à melhoria do ensino público.

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