Leitura com protagonismo feminino

Fuvest mantém lista de leitura só com autoras e reforça valorização feminina na literatura

Seleção para a USP segue até 2028 com obras escritas por mulheres; nomes como Clarice Lispector e Conceição Evaristo estão entre os destaques

A partir de 2029, a lista voltará a incluir autores homens, ampliando o repertório literário e promovendo diversidade nas leituras - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 30/03/2026, às 13h03

A Fuvest confirmou que a lista de obras obrigatórias para o vestibular da Universidade de São Paulo continuará sendo composta exclusivamente por autoras até a edição de 2028. A proposta, adotada inicialmente na Fuvest 2026, busca ampliar a visibilidade da produção literária feminina no Brasil e no mundo.

Entre os nomes presentes na lista estão Clarice Lispector, Rachel de Queiroz e Conceição Evaristo, além de outras autoras de diferentes períodos históricos e contextos culturais.

De acordo com a fundação, a escolha tem como objetivo “valorizar o papel das mulheres na literatura, não apenas como personagens mas como autoras”. A lista reúne obras que atravessam séculos, desde “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta, publicado em 1853, até títulos contemporâneos, como “A visão das plantas”, de Djaimilia Pereira de Almeida.

Entre as mudanças recentes, foram incluídas as obras “A paixão segundo G. H.”, de Clarice Lispector, e “Geografia”, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Por outro lado, deixaram a lista livros de Lygia Fagundes Telles e outro título da própria Sophia.

O diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Monaco, destacou que a iniciativa não exclui a importância de autores homens, mas busca corrigir um desequilíbrio histórico. Segundo ele, “trata-se, antes, de trazer a público e valorizar o que, muitas vezes, ainda não se conhece, e de destacar a importância das mulheres no cânone em diferentes períodos históricos”.

A partir da edição de 2029, a lista voltará a incluir autores homens, como Machado de Assis, Érico Veríssimo e Luís Bernardo Honwana.

A decisão reforça o papel do vestibular como instrumento não apenas de seleção, mas também de formação cultural, ao ampliar o repertório literário dos estudantes e promover maior diversidade nas leituras exigidas.

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