DOAÇÃO

Rivais da Havaianas doaram R$ 2 milhões para reeleição de Bolsonaro

Os donos da Ipanema, Alexandre e Pedro Grendene Bartelle, destinaram R$ 2 milhões à campanha de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro

Os irmãos Pedro e Alexandre Grendene - Imagem: Reprodução / Monica Zarattini

William Oliveira Publicado em 22/12/2025, às 12h24

A campanha de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro recebeu um aporte milionário de empresários ligados ao setor de calçados. Os donos da marca Ipanema, Alexandre e Pedro Grendene Bartelle, realizaram doações que somaram R$ 2 milhões, repassados diretamente do próprio bolso como pessoas físicas.

Cada um dos irmãos contribuiu com R$ 1 milhão, valor registrado oficialmente na prestação de contas da campanha. As doações ocorreram em um período crítico para a arrecadação eleitoral, quando a equipe buscava reforçar o caixa para a reta final da disputa.

Os empresários são fundadores do Grupo Grendene, responsável por marcas conhecidas no mercado brasileiro e internacional, como Ipanema, Melissa e Rider. O apoio financeiro chamou atenção pelo montante elevado e pelo peso econômico dos doadores.

De acordo com a legislação eleitoral, contribuições de pessoas físicas são permitidas dentro de limites legais e devem ser declaradas aos órgãos de controle. As doações dos donos da Ipanema foram registradas oficialmente, tornando públicas as informações sobre o financiamento da campanha de reeleição.

Polêmica da Havaianas

Campanha de fim de ano da Havainas com a atriz Fernanda Torres - Imagem: Divulgação / Havaianas

 

O anúncio do valor investido na campanha surge após uma polêmica envolvendo a Havaianas, cuja campanha publicitária, inicialmente motivacional, acabou ganhando contornos ideológicos. O estopim foi um vídeo protagonizado pela atriz Fernanda Torres, estrela do premiado Ainda Estou Aqui. No comercial, Fernanda desafia a tradicional expressão “começar o ano com o pé direito”, sugerindo que, em 2026, as pessoas entrem “com os dois pés”.

"Não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não, não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, né? Depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés [...] os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo! De corpo e alma, da cabeça aos pés", diz a atriz no comercial.

Setores da direita e influenciadores conservadores interpretaram a fala como um ataque subliminar ao campo político da direita, gerando reação imediata. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) criticou a atriz, chamando-a de “pessoa declaradamente de esquerda” e acusando a campanha de oposição ideológica. Em gesto simbólico, filmou-se descartando um par de sandálias no lixo, acompanhando o bordão: "Quem lacra, não lucra".

Políticos como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também atacaram, sugerindo que o famoso slogan da marca, “Todo mundo usa”, seja atualizado para: “Havaianas: nem todo mundo agora vai usar”. O movimento de boicote tenta replicar episódios internacionais, como o da cerveja Bud Light, que sofreu perdas bilionárias após se envolver em pautas progressistas.

A polêmica ganha contornos ainda mais complexos devido à posição de Fernanda Torres, recém-saída de uma vitória histórica no Oscar 2025, com o filme Ainda Estou Aqui conquistando a estatueta de Melhor Filme Internacional, elevando a atriz ao status de ícone cultural do país no ano.

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