Apesar da leve queda em agosto, preços da carne devem voltar a subir devido à alta demanda interna e exportações
Redação Publicado em 13/09/2025, às 09h36
Apesar da leve queda no preço da carne registrada no último mês, a má notícia para o consumidor é que esse alívio no bolso deve durar pouco. Especialistas do setor já preveem que os valores devem voltar a subir em breve, mantendo a carne bovina como um dos itens mais pesados no orçamento das famílias. A tendência de alta é puxada principalmente pelo forte ritmo das exportações e por uma maior procura aqui mesmo no Brasil.
Em agosto, os brasileiros viram o preço da carne cair 0,43%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, essa pequena baixa nem de longe compensa a alta acumulada nos últimos tempos. Nos últimos 12 meses, ir ao açougue ficou, em média, 22,17% mais caro. Os cortes mais populares e presentes no dia a dia da população, como o acém, o peito e o músculo, foram os que mais pesaram, com aumentos que chegam a quase 30%. A previsão é que a oferta de bois para abate diminua nos próximos dois anos, o que deve pressionar ainda mais os preços para cima.
Por que a carne não barateia de vez?
Um dos principais fatores que mantêm o preço da carne nas alturas é a grande procura de outros países pelo produto brasileiro. O Brasil é um dos principais exportadores do mundo, e mesmo medidas como o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos não conseguiram frear as vendas. Os produtores brasileiros simplesmente se ajustaram e encontraram novos compradores.
A prova disso é que, em agosto, os Estados Unidos caíram da segunda para a quinta posição entre os países que mais compram nossa carne. A China continua sendo a principal cliente, mas o destaque foi o México, que, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, comprou três vezes mais carne do Brasil este ano em comparação com o mesmo período de 2024. A previsão é que o volume total exportado em 2025 seja 12% maior que o do ano passado.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercados, a lógica é simples: com grande parte da produção sendo vendida para o exterior, sobra menos carne disponível no mercado interno. Com menos produto nas prateleiras e muita gente querendo comprar, o preço inevitavelmente sobe.