Sonho de milhares de famílias pelo Minha Casa, Minha Vida esbarra em falhas estruturais, processos judiciais e disputas com a construtora de Ricardo Gontijo
Redação Publicado em 16/07/2026, às 12h41
Para quem busca sair do aluguel, o nome da Direcional Engenharia — empresa fundada por Ricardo Valadares Gontijo e hoje liderada por seu filho, Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo — costuma surgir como o caminho mais rápido, viabilizado por programas habitacionais do governo e financiamento da Caixa. Mas para muitos compradores de baixa renda, a entrega das chaves tem sido o início de uma batalha judicial para corrigir defeitos graves em suas moradias, como infiltrações, rachaduras e acabamentos mal executados.
Perícias confirmam falhas e mobilizam a Justiça Diferente do que argumentam algumas incorporadoras, laudos periciais encomendados pela Justiça em diversas ações de consumidores comprovaram que muitos dos estragos relatados nos imóveis da Direcional decorrem de falhas na construção, e não da falta de manutenção por parte dos moradores. Isso gerou decisões judiciais obrigando a empresa a realizar reparos imediatos. Embora a construtora figure em dezenas de processos de natureza cível e trabalhista sem que haja condenação definitiva em todos eles, o volume de reclamações chama a atenção.
Ações coletivas cobram habitabilidade digna O descontentamento dos consumidores ganhou contornos coletivos com a intervenção do Ministério Público Federal, que moveu ações civis públicas questionando a qualidade de conjuntos habitacionais construídos no Acre, Goiás e Amazonas. Em sua defesa, a Direcional afirma que atua de forma responsável: no Amazonas, os reparos no Residencial Viver Melhor ocorrem sob acordo judicial acompanhado pela Defensoria Pública; em Goiás, a empresa sustenta que o processo está suspenso e as falhas apontadas não comprometem a segurança.
Casos polêmicos do passado, como as investigações envolvendo o empréstimo de um avião particular para políticos em 2013 e denúncias de assédio trabalhista, foram solucionados por arquivamentos judiciais e acordos amigáveis. Ainda assim, para o consumidor final, o cenário reforça a necessidade de vigilância constante sobre os padrões de qualidade exigidos de quem constrói com dinheiro público.