Inflação em queda

Mercado reduz projeção de inflação para 2026 e mantém expectativas para juros e crescimento

Boletim Focus aponta IPCA de 4% no próximo ano; estimativas para PIB, Selic e dólar seguem estáveis

O crescimento do PIB está projetado em 1,8% para 2026, com o dólar cotado a R$ 5,50, indicando estabilidade no cenário econômico - Imagem: Reprodução/José Cruz/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 26/01/2026, às 12h19

O mercado financeiro reduziu, pela terceira semana consecutiva, a projeção para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central, a expectativa é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o próximo ano em 4%.

Na semana anterior, a projeção era de 4,02%, enquanto há quatro semanas estava em 4,05%, indicando uma tendência gradual de queda nas expectativas inflacionárias. Para os anos seguintes, as estimativas permanecem inalteradas há 12 semanas: 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028.

Inflação dentro da meta

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2026 e os anos seguintes é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo — o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%. Com isso, todas as projeções atuais do mercado estão dentro do limite estabelecido.

O mesmo ocorreu em 2025, quando o IPCA fechou em 4,26%, também dentro da meta, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Juros seguem elevados nas projeções

As estimativas para a taxa básica de juros permanecem estáveis. O mercado financeiro mantém a projeção de que a Selic encerrará 2026 em 12,25%, patamar repetido há cinco semanas. Atualmente, a taxa está em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, quando alcançou 15,25%.

Para 2027, a expectativa segue em 10,5%, projeção mantida há quase um ano. Já para 2028, o mercado estima que a Selic termine o período em 10%.

O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento de controle da inflação. Juros mais altos tendem a conter o consumo e a demanda, ao encarecer o crédito, enquanto reduções estimulam a atividade econômica, ainda que com menor controle inflacionário.

PIB e câmbio sem alterações

As expectativas para o crescimento econômico também seguem estáveis. O mercado projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,8% em 2026, percentual mantido há sete semanas. Para 2027, a estimativa é a mesma, enquanto para 2028 a projeção aponta crescimento de 2%.

No câmbio, o dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,50, valor que se repete há 15 semanas no Boletim Focus. Para os anos seguintes, as projeções indicam leve alta, com a moeda norte-americana estimada em R$ 5,51 em 2027 e R$ 5,52 em 2028.

O conjunto de dados reflete uma percepção de maior estabilidade no cenário macroeconômico, ainda que com juros elevados e crescimento moderado nos próximos anos.

dólar Inflação PIB Banco central Selic brasil JUROS IPCA EXPECTATIVA PROJEÇÃO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL câmbio 2026 produto interno bruto

Leia também