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Novas tarifas de importação e cortes nos gastos públicos. Como fica o consumidor e o pagador impostos nos Estados Unidos?

Imagem criada com inteligência artificial. - Imagem: Reprodução | Grok/X

Dennis Munhoz Publicado em 11/03/2025, às 08h36

A inflação nos Estados Unidos apresenta uma resistência inesperada e não dá sinais de queda no curto prazo. Antes da COVID-19, a inflação anual girava em torno de 1,5% ao ano e, nos últimos 40 anos, pouco oscilou. Isso significa que um estadunidense com menos de 60 anos nunca havia convivido com um processo inflacionário significativo. Até 2020, quando se falava em inflação, muitos sequer compreendiam seu impacto.

No entanto, como não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, a pandemia mudou o cenário global. A temida inflação chegou com força aos Estados Unidos e, no auge, atingiu 9,1% ao ano, superando até a inflação brasileira durante a administração de Joe Biden. A equipe econômica do então presidente subestimou o impacto destrutivo da alta de preços e adiou medidas duras, mas necessárias, para combatê-la.

Entre 2020 e 2024, o governo despejou trilhões de dólares em auxílios sociais — alguns essenciais — e pagamentos para que as pessoas permanecessem em casa. Com a cadeia de produção comprometida pela pandemia, a escassez de produtos e serviços, aliada ao excesso de dinheiro em circulação, criou o ambiente perfeito para a inflação disparar. Muita gente querendo e podendo comprar, mas com poucos produtos disponíveis, resultou em uma alta generalizada nos preços.

O governo Biden demorou para agir, e o Federal Reserve (equivalente ao Banco Central) precisou elevar drasticamente as taxas de juros, alcançando níveis recordes dos últimos 40 anos. Atualmente, a inflação anual está em 3% — o dobro do índice usual — e não apresenta sinais de queda, mesmo com os juros elevados. Segundo pesquisas, esse fator foi um dos principais entraves na campanha presidencial de Kamala Harris, ao lado da imigração ilegal. Donald Trump, por sua vez, soube explorar o tema na campanha e prometeu agir. No entanto, após quase dois meses de governo, os resultados ainda não apareceram.

Uma das estratégias da nova administração tem sido aumentar tarifas sobre produtos importados, especialmente da China, México e Canadá. A justificativa é que esses países não têm colaborado com o controle das fronteiras e o combate à entrada da droga fentanil nos Estados Unidos. No entanto, tarifas mais altas significam preços maiores para o consumidor final, o que pode, paradoxalmente, alimentar ainda mais a inflação.

Muitas economias utilizam a importação para equilibrar a oferta e a demanda, mantendo os preços sob controle. As novas tarifas, que devem entrar em vigor em abril, podem forçar os países exportadores a atenderem às exigências de Trump e reduzirem suas próprias tarifas sobre produtos norte-americanos. Porém, caso um acordo não seja alcançado, os preços nas lojas e supermercados podem subir ainda mais, comprometendo o orçamento dos consumidores.

Além disso, os gastos públicos e o aumento da dívida federal agravam a situação. A dívida pública, por si só, não seria um problema crítico para a maior economia do mundo, desde que estivesse sob controle. No entanto, há décadas ela cresce em ritmo acelerado, sem que medidas eficazes sejam adotadas. Como as ações de contenção são impopulares, os governantes evitam implementá-las, já que estão sempre de olho na reeleição. Cortar gastos administrativos, reduzir cargos públicos, enxugar a máquina estatal e diminuir benefícios não são medidas bem-vistas pelos políticos, mas são necessárias.

O contribuinte, por sua vez, está perplexo com os números apresentados por Elon Musk, que atualmente lidera o Departamento de Controle, Despesas e Eficiência do Governo Federal (DOGE). Segundo Musk, bilhões de dólares são destinados a outros países — alguns inimigos declarados dos EUA —, além de organizações não governamentais e projetos considerados irrelevantes pela atual administração. Os números astronômicos revelados por ele ainda não foram desmentidos pelos órgãos oficiais, o que aumenta a indignação popular.

Apesar de estar sendo criticado até dentro do Partido Republicano por possíveis conflitos de interesse entre suas empresas e o governo, Musk tem chamado atenção para um alerta preocupante: se as contas públicas e a dívida federal não forem equacionadas, os Estados Unidos podem quebrar. Equilibrar essa equação é extremamente complexo, mas algo efetivo e rápido precisa ser feito. A inflação não espera — e o contribuinte também não.

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