Davis Alves Publicado em 06/07/2026, às 11h07
A Inteligência Artificial já responde perguntas, escreve textos e auxilia profissionais em diversas áreas. Nos últimos meses, porém, um novo fenômeno ganhou força: pessoas passaram a utilizar chatbots como se fossem terapeutas. Embora a IA possa oferecer apoio inicial, reflexões e informações sobre saúde mental, ela não substitui o acompanhamento de um profissional qualificado.
O primeiro risco está na falsa sensação de competência. As respostas geradas pela IA costumam ser empáticas, organizadas e convincentes, o que pode levar o usuário a acreditar que está recebendo uma orientação clínica. No entanto, esses sistemas não realizam diagnóstico, não conhecem integralmente o histórico do paciente e não possuem percepção emocional semelhante à de um ser humano.
Outro ponto importante é que a IA pode cometer erros, interpretar incorretamente uma situação ou apresentar informações imprecisas. Em questões relacionadas à saúde mental, um conselho inadequado pode agravar conflitos familiares, problemas emocionais ou atrasar a busca por atendimento especializado.
Também existe a questão da privacidade. Muitas pessoas compartilham com a IA informações extremamente íntimas, como traumas, conflitos conjugais, dificuldades financeiras e problemas de saúde. Dependendo da plataforma utilizada, essas informações podem ser armazenadas, processadas ou utilizadas para aprimorar modelos de inteligência artificial, sempre conforme as políticas de privacidade de cada serviço.
Outro risco é o isolamento social. Algumas pessoas podem substituir gradualmente o contato com familiares, amigos ou profissionais por conversas frequentes com um chatbot. Essa dependência pode reduzir a busca por apoio humano justamente nos momentos em que ele é mais necessário.
Isso não significa que a IA não tenha utilidade nesse contexto. Ela pode ajudar na organização de pensamentos, fornecer conteúdos educativos sobre saúde mental, sugerir técnicas de relaxamento e incentivar hábitos saudáveis. Também pode orientar o usuário a procurar ajuda profissional quando identifica sinais preocupantes. Seu papel, porém, deve ser complementar e nunca substituir a atuação de psicólogos ou psiquiatras.
A Inteligência Artificial continuará transformando a forma como cuidamos da saúde. No entanto, quando o assunto envolve emoções, sofrimento e bem-estar psicológico, a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta de apoio, e não como um substituto da relação humana. Afinal, nenhuma inteligência artificial é capaz de reproduzir completamente a empatia, a experiência clínica e o julgamento profissional de um terapeuta.
Quer se aprofundar no assunto? Me escreva no Instagram: @davisalvesphd.
Davis Alves, Ph.D - É doutor em administração, Ph.D na Florida Christian University (EUA), especialista em tecnologia e segurança da informação e presidente da Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados (APDADOS). Reside nos Estados Unidos e traz semanalmente as novidades sobre golpes digitais, investigação cibernética e o mundo hacker.