Legado de Pixinguinha e Lupicínio reconhecido por Lula
Gabriela Thier Publicado em 12/09/2025, às 14h43
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação que reconhece oficialmente os renomados músicos Pixinguinha e Lupicínio Rodrigues como patronos da Música Popular Brasileira (MPB). A sanção foi divulgada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (12).
O título de patrono é conferido a personalidades brasileiras falecidas há pelo menos uma década, cuja obra tenha oferecido contribuições significativas ou dedicadas ao segmento cultural em questão.
Lupicínio Rodrigues
Nascido em Porto Alegre em 16 de setembro de 1914, Lupicínio Rodrigues é amplamente reconhecido como o criador do estilo musical conhecido como "dor-de-cotovelo", que se destaca por suas letras profundas e emotivas que abordam desilusões amorosas. Suas composições, incluindo clássicos como "Felicidade" e "Nervos de Aço", continuam a ser interpretadas por diversos artistas e permanecem vivas na memória coletiva dos brasileiros.
Com apenas 14 anos, ele escreveu sua primeira canção intitulada "Carnaval". Além disso, é o autor do hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, criado em 1953. O vínculo de Lupicínio com seu estado natal era tão forte que ele nunca residiu em outro local, limitando suas viagens a curtas estadias.
Seu primeiro grande êxito foi a música "Se acaso você chegasse", que foi regravada por diversos intérpretes respeitados no Brasil. Ao longo de sua carreira, deixou um legado de cerca de 150 canções antes de falecer aos 59 anos devido a complicações cardíacas.
Pixinguinha
Alfredo da Rocha Vianna Filho, mais conhecido como Pixinguinha, nasceu no Rio de Janeiro em 4 de maio de 1897. Reconhecido como um dos maiores representantes do choro, um dos gêneros musicais mais tradicionais do Brasil, ele se destacou como saxofonista, flautista e maestro.
A obra de Pixinguinha é marcada por uma fusão única de influências que incluem jazz norte-americano e ritmos africanos e brasileiros. Sua contribuição para a música popular brasileira moderna é inegável, sendo responsável pela consolidação do choro como uma forma musical relevante. Entre suas composições mais icônicas estão "Carinhoso", "Rosa" e "Lamentos". O Dia Nacional do Choro, comemorado em 23 de abril, através da Lei 10.000/2000, é uma homenagem ao seu legado duradouro.
Recebeu o apelido de Pixinguinha dado por sua avó e iniciou sua trajetória musical sob a orientação do pai. Ainda jovem, tornou-se membro do grupo Os Oito Batutas, levando o choro a palcos tanto nacionais quanto internacionais. Com arranjos sofisticados e melodias ricas, ele moldou o estilo do choro e trabalhou como arranjador na RCA Victor, criando trilhas sonoras para o cinema até sua morte em 17 de fevereiro de 1974.