COLUNA

Brasil entre sanções e crises internas: a “Sinuca de Bico” que expõe governo e bancos

A política brasileira enfrenta uma encruzilhada com sanções dos EUA e disputas internas que afetam a governabilidade

A política brasileira enfrenta uma encruzilhada com sanções dos EUA e disputas internas que afetam a governabilidade - Imagem: Reprodução / Fabio Rodrigues- Pozzebom / Agência Brasil

Agenor Duque Publicado em 20/08/2025, às 16h21

A política brasileira entrou em uma encruzilhada delicada que mistura geopolítica, pressões internacionais e disputas internas. O ministro Alexandre de Moraes, alvo das sanções Magnitsky impostas pelos Estados Unidos, declarou à Reuters acreditar que tais medidas serão revertidas pelo próprio Donald Trump. Moraes afirmou que, à medida que documentos e informações corretas forem apresentados, o Executivo americano não verá necessidade de manter punições contra autoridades brasileiras.

A declaração cai como combustível em um cenário já carregado de tensões. A lei Magnitsky, que pune autoridades acusadas de violações de direitos humanos e corrupção, hoje se choca frontalmente com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. A análise da professora Maristela Basso, especialista em Direito Internacional da USP, é categórica: bancos brasileiros vivem uma “sinuca de bico”. Precisam escolher entre acatar determinações do STF ou respeitar as sanções impostas pelos EUA dilema que pode custar caro ao sistema financeiro.

Enquanto isso, em Brasília, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma derrota emblemática na CPMI do INSS. O senador Omar Aziz, apoiado pelo Palácio do Planalto, perdeu a presidência da comissão para Carlos Viana, da oposição. A situação se agravou quando o relator inicialmente escolhido, Ricardo Ayres, foi substituído por Alfredo Gaspar, também mais próximo ao campo oposicionista. Nos bastidores, ministros e auxiliares do governo admitem que a mudança atrapalha articulações e representa um revés político inesperado.

A oposição comemorou. Para nomes como Enio Viterbo, a derrota escancarou fragilidade da base aliada: “O governo Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta foram derrotados hoje. A oposição conseguiu não apenas a presidência, mas também a relatoria da CPMI.”

No meio desse tabuleiro, surge ainda o nome do ministro da Justiça, Flávio Dino, que pode ele próprio entrar na mira da Lei Magnitsky após decisões polêmicas no STF. O risco de mais um integrante da alta cúpula do Judiciário brasileiro ser incluído na lista negra dos EUA amplia a tensão diplomática e coloca pressão inédita sobre Brasília.

O quadro é de instabilidade e desgaste. A “sinuca de bico” não se limita ao sistema financeiro: envolve a relação do Brasil com Washington, fragiliza a governabilidade de Lula e abre espaço para que a oposição capitalize o desgaste. Entre sanções internacionais, derrotas no Congresso e dúvidas sobre a solidez das instituições, o país atravessa mais uma fase turbulenta em que política externa e doméstica se entrelaçam perigosamente.

Donald Trump Estados Unidos STF COLUNA ALEXANDRE DE MORAES AGENOR DUQUE

Leia também