
Redação Publicado em 25/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 18h54
Durante o velório do indigenista Bruno Pereira, realizado na manhã desta última sexta-feira (24) no Cemitério Morada da Paz, no interior do Pernambuco, os indígenas da tribo Xukuru compareceram ao local para prestar uma homenagem. A matéria é do portal TV Jornal.
Na cerimônia, a tribo aproveitou para exigir justiça para Bruno e Domatravés de um cartaz, bem como levaram uma bandeira do estado e também uma camisa da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).
No velório, familiares, parentes, amigos e outros ativistas também compareceram a despedida.
O cacique da tribo Xukuru, Marcos Xukuru, chegou a afirmar que Bruno Pereira se tornou um encantado: entidade das religiõesde diversos povos indígenas que surgem a partir de uma transformação no momento da morte de pessoas que atingem um grau elevado de sabedoria, e passam a possuir poderes de cura.
“Hoje ele se torna um mártir para todos nós enquanto povos indígenas pela luta que ele representava em defesa dos povos indígenas. Mas não só pelos povos indígenas: pela mãe terra, pela mãe natureza a qual nós defendemos assim como tantos outros guerreiros e mártires que se foram e tombaram nessa luta”, acrescentou o cacique durante o velório.
A família de Bruno escolheu a cunhada Thany Rufino, também indigenista, para representar a família através de uma nota em sua homenagem.
Na íntegra, Thany ressalta a importância de seu trabalho para a proteção dos povos indígenas. “Bruno tinha uma missão e iluminou sua causa, e levou ela para o mundo. Neste momento e durante toda a última semana, indígenas de todo o país fizeram rituais de passagem e homenagearam Bruno Pereira”, declarou ela.
Bruno era um dos maiores especialistas em povos isolados do País. Ele atuava na defesa desses territórios contra os invasores, como garimpeiros e madeireiros da região.
Depois de ser exonerado do cargo de coordenador-geral de Índios Isolados da Funai, em 2019, o indigenista continuou atuando como assessor na União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), local que é a segunda maior terra indígena do País, e consequentemente, foco de disputa do tráfico de drogas, roubo de madeira e o garimpo.
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