O clima frio e o tempo instável contribuíram para o esvaziamento de atos contra e a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro neste domingo em São Paulo.

Redação Publicado em 28/06/2020, às 00h00 - Atualizado às 18h28
O clima frio e o tempo instável contribuíram para o esvaziamento de atos contra e a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro neste domingo em São Paulo.
O ato crítico a Bolsonaro, na Avenida Paulista, reuniu integrantes de torcidas organizadas de futebol, simpatizantes de partidos esquerda, como o PSTU, o PSOL e o PCO. Este último partido levou bandeiras com as suas siglas, o que causou mal-estar com os outros manifestantes que defendem um ato pró-democracia, mas sem identificação com partidos políticos.
Manifestantes pró-democracia estenderam uma faixa de cerca de 50 metros de extensão que dizia “Fora Bolsonaro” em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), palco tradicional de protestos na capital. Eles também trajavam camisas amarela com a inscrição em azul “somos democracia”, uma espécie de slogan do movimento.
Embora o tom fosse a defesa da democracia, a luta contra o racismo também teve adesão, ecoando protestos que vêm ocorrendo pelo mundo nas últimas semanas. Segundo estimativa de policiais militares que patrulhavam o ato, havia cerca de 600 pessoas.
Em razão de um acordo mediado pelo Ministério Público de São Paulo, apenas o grupo contrário ao presidente protestou na avenida Paulista.
Apoiadores de Bolsonaro se manifestaram em frente ao parque do Ibirapuera, no trecho em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O ato, menos numeroso do que o da Paulista, reuniu algumas dezenas de manifestantes, em sua maioria sem máscaras de proteção contra o novo coronavírus. Desde que a pandemia chegou ao país, o presidente adotou uma postura negacionista sobre os risco da doença para a saúde e já fez uma série de declarações minimizando seus riscos, em que pese que mais 57 mil pessoas já tenham morrido infectadas pela Covid-19 no país.
Os simpatizantes de Bolsonaro ficaram em frente a um carro de som, onde fizeram orações pelo país e pelo presidente. Uma das faixas dizia “nossa luta é por um Brasil cristão”. Eles também levaram faixas com críticas ao governador de São Paulo João Doria e o prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB.
Alguns mais radicais pediam intervenção militar e o fechamento do Congresso. Também criticavam o Supremo Tribunal Federal (STF) e pediam a soltura de Jurandir Alencar e Antonio Carlos Bronzeri, presos no mês passado, quando participaram de um protesto em frente ao prédio residencial do ministro Alexandre de Moraes em São Paulo. Na ocasião, os dois foram detidos preventivamente por desobediência, descumprimento de medida sanitária preventiva e incitação ao crime.
Diferentemente de atos ocorridos no final de março, quando a Polícia Militar teve de usar bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para dispersar parte dos manifestantes na avenida Paulista, desta vez o clima era de tranquilidade. Até 16h, não foram registradas ocorrências nas proximidades dos atos.
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