Uma notícia-crime ajuizada em junho no Supremo Tribunal Federal pedindo para que o presidente Jair Bolsonaro e seu então advogado Frederick Wassef fossem

Redação Publicado em 24/08/2020, às 00h00 - Atualizado às 12h38
Uma notícia-crime ajuizada em junho no Supremo Tribunal Federal pedindo para que o presidente Jair Bolsonaro e seu então advogado Frederick Wassef fossem investigados por uma negociação obscura com uma concessionária do governo federal está há 55 dias parada no gabinete do procurador-geral da República, Augusto Aras (foto).
Desde o dia 30 de junho, o ministro Ricardo Lewandowski aguarda uma manifestação do PGR sobre o pedido feito pelo advogado Carlos Eduardo Silva Duarte para investigar uma suposta atuação de Bolsonaro em acertos firmados entre Wassef e a concessionária Aeroporto Brasil Viracopos, que mantém negócios com o governo federal.
A representação criminal está baseada em uma reportagem publicada pelo site O Antagonista . De acordo com a notícia , mesmo sem qualquer experiência na área de aviação, Wassef foi contratado pela concessionária em 2019, quando já era advogado da família Bolsonaro, para prestar “consultorias jurídicas e estratégicas”, em um acerto estimado em 5 milhões de reais.
Em maio, Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o presidente do Conselho de Administração da Triunfo — empreiteira líder do consórcio — e do Aeroporto de Viracopos, João Villar Garcia. Minutos antes da reunião, Bolsonaro teve um encontro com Wassef, como mostra a agenda oficial.
Na ação no STF, o advogado Carlos Eduardo Silva Duarte pede que Bolsonaro seja investigado pela prática dos crimes de advocacia administrativa e corrupção passiva. No caso de Wassef, ele sugere a apuração sobre tráfico de influência, corrupção ativa e ocultação de recursos provenientes de infração penal.
O procurador-geral precisa decidir se concorda ou não com a abertura de uma investigação, que ficaria a cargo da própria PGR, caso o ministro Ricardo Lewandowski decida pela abertura do procedimento para investigar o presidente da República e seu agora ex-advogado.
Nesta semana, Crusoé revelou que Wassef foi à PGR em outubro do ano passado defender os interesses da JBS na repactuação do acordo de delação premiada da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, sem procuração para atuar no caso.
O encontro foi intermediado pelo presidente Jair Bolsonaro , que ligou para Augusto Aras e para o subprocurador responsável pelo processo pedindo para receber seu advogado. Dados do Coaf obtidos por Crusoé mostram que Wassef recebeu 9 milhões de reais da JBS desde 2015.
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