O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) faz, nesta quinta-feira (30), uma operação contra uma milícia que atua na Zona Oeste do Rio.

Redação Publicado em 30/07/2020, às 00h00 - Atualizado às 10h38
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) faz, nesta quinta-feira (30), uma operação contra uma milícia que atua na Zona Oeste do Rio.
Até as 9h, 7 pessoas foram presas, sendo 4 alvos da operação. Entre eles, estão os dois policiais apontados pelo MP como chefes do organização criminosa.
Além deles, uma mulher foi presa em flagrante por porte ilegal de arma. Ela tinha sido denunciada, mas não estava com prisão decretada. Outros 2 homens, que não tinham nada a ver com a investigação, foram presos porque estavam com drogas e dinheiro.
Os policiais presos serão levados para a Corregedoria da PM e de lá seguirão para o Batalhão Especial Prisional.
Segundo os promotores, o grupo é responsável por vários crimes na comunidade Asa Branca, entre eles, exploração e comercialização de sinais clandestinos de televisão a cabo – prática conhecida como “gatonet” -, venda de cigarros ilegais e exploração ilícita de pontos de mototáxi.
A operação Gogue Magogue – que na Bíblia representam os inimigos do povo de Deus – tem como objetivo cumprir 6 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão contra 14 policiais militares e 8 civis pela prática dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e concussão.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, o chefe da milícia é Jorge Henrique da Silva, conhecido como “Dô”.
Seu braço-direito, considerado o “02” da organização criminosa, é o também sargento da Polícia Militar Adelmo da Silva Guerini Fernandes, que mora em um condomínio na Taquara.
Os mandados de prisão foram expedidos contra os seguintes policiais:
As investigações apontam a cobrança de taxas extorsivas dos mototaxistas para permitir que eles circulem livremente pela região de Jacarepaguá, da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, bairros da Zona Oeste da cidade.
E para ter controle da exploração dos mototaxistas, os investigadores dizem que existe um esquema de pagamento de propina a policiais militares de dois batalhões – 18º BPM, em Jacarepaguá, e 31º BPM, no Recreio dos Bandeirantes – para que o grupo tenha acesso a informações privilegiadas sobre blitzes e operações policiais.
“Quando abordados pela polícia, os mototaxistas fazem contato com membros da milícia e são liberados. Não raro, os próprios policiais militares presentes na operação assumem a ligação para confirmarem diretamente com o comparsa se o mototaxista detido é, de fato, parceiro do grupo criminoso”, dizem os promotores.
O MPRJ diz ainda que o grupo criminoso atua com violência.
“Traço da organização é o emprego de violência e ameaça contra aqueles que, de alguma forma, atrapalham seus interesses. Telefonemas interceptados revelam que os mototaxistas que deixavam de pagar as taxas impostas pelos milicianos eram sumariamente banidos da região, ameaçados, agredidos fisicamente, ou tinham suas motocicletas arbitrariamente “confiscadas”.
A denúncia apresentada pelo MPRJ aponta ainda a existência de indícios da prática de invasão de propriedade, grilagem de terras, exploração sexual de menores e lesões corporais contra integrantes da própria organização criminosa que cometessem erros ou desobedecessem a ordens de superiores.
G1
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