A Polícia Civil indiciou, na manhã desta quarta-feira (24), por falsa comunicação de crime a jovem que registrou ocorrência em 8 de outubro em Porto

Redação Publicado em 24/10/2018, às 00h00 - Atualizado às 11h44
A Polícia Civil indiciou, na manhã desta quarta-feira (24), por falsa comunicação de crime a jovem que registrou ocorrência em 8 de outubro em Porto Alegre relatando ter sido marcada na barriga por um canivete. O inquérito foi concluído após o delegado Paulo Cesar Jardim receber o laudo pericial que indica que as lesões foram produzidas “ou pela própria vítima ou por outro indivíduo com o consentimento da vítima ou, pelo menos, ante alguma forma de incapacidade ou impedimento da vítima em esboçar reação”.
Foram analisados 23 traços no corpo da mulher. Em alguns deles, a perícia diz que corresponderam a “arranhões”.
À polícia, no registro da ocorrência, a jovem disse que descia de um ônibus, a caminho de casa, no bairro Cidade Baixa, quando foi abordada por três homens que a agrediram.
Durante o exame de corpo de delito, ela disse “ter sido agredida, no dia anterior, por duas pessoas que a teriam imobilizado e por uma terceira que teria realizado uma inscrição em sua ‘barriga'”. Acrescentou “haver apenas uma lesão, a qual, segundo ela, teria o aspecto de uma ‘suástica'”.
De acordo com o delegado, mais de 20 pessoas foram ouvidas na região. “Toda a área que ela percorreu identificamos 12 câmeras, uma visão muito boa, ela não aparece, tampouco alguma agressão. Delito de pequeno poder ofensivo, a pena é de seis meses a um ano, estamos encaminhando ao Judiciário, ela é indiciada.”

Suspeitos teriam marcado a barriga da jovem com canivete — Foto: Arquivo pessoal
O delegado diz não ter dúvidas sobre o caso. “Para nós o laudo é bastante conclusivo. Ou houve um autoflagelo, ou foi com consentimento da vítima”
De acordo com a perícia, não há evidência de que a jovem tenha se defendido. O laudo diz ainda que as lesões formam “traçados retilíneos” e que a movimentação do corpo poderia ter prejudicado o desenho. “A figura poderia ser mais facilmente produzida com o consentimento ou com a colaboração da própria periciada. (…) Pode-se concluir que as lesões tenham sido produzidas cautelosamente, de modo a não causarem dano às camadas profundas da pele”.
Quando às lesões, ela teria dito, no momento do exame pericial, que “não teria, de forma alguma, reagido ao ataque e que, ao ser imobilizada pelos supostos agressores, os quais lhe teriam segurado apenas pelos braços, como ela estaria usando uma roupa com mangas muito macias, estas lhe teriam protegido. Mais de uma vez, afirmou não ter havido luta corporal entre ela e os agressores, apenas a imobilização pelos braços, ao que ela teria ficado, de pronto, paralisada.”
A advogada da jovem, Gabriela Souza, disse que ainda não teve acesso ao laudo, mas que soube do resultado através de um jornalista.
“Eu vejo com muita naturalidade esse laudo porque a minha cliente quando falou com a polícia disse que foi atacada e não esboçou nenhuma reação porque teve reação de pânico. Então, se o laudo do IML fala exatamente isso, eu não entendo porque a imprensa e o delegado estão só analisando a hipótese de automutilação. O laudo do IML, concluindo isso, conclui que minha cliente diz a verdade. Na verdade, acho até engraçado desqualificar a palavra de uma mulher quando o que ela disse foi, de fato, confirmado pelo laudo.”
O delegado responsável pelo caso diz que a jovem está em tratamento médico. “Hoje ela está em casa, ela é doente, debilitada, ela sofre alguns ataques de pânico, toma remédios fortíssimos. A advogada dela tem mantido contato permanente comigo, fala da situação clínica dela. Ela já fazia acompanhamento psicológico e psiquiátrico, e continua fazendo.”
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