O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu inquérito para investigar a compra de votos na eleição do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ)

Redação Publicado em 18/11/2019, às 00h00 - Atualizado às 18h14
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu inquérito para investigar a compra de votos na eleição do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) para a presidência da Câmara. Além de Cunha, que depois perdeu o cargo e hoje está preso em razão da Lava-Jato, serão investigados outros 17 deputados, ex-deputados e políticos com outros cargos.
A decisão de Fachin foi tomada a pedido da Procuradoria-Geral de República (PGR). A PGR, porém, fez duas solicitações. Pedia a abertura de inquérito contra três deputados federais —Carlos Bezerra (MDB-MT), Mauro Lopes (MDB-MG) e José Priante (MDB-PA) — e o envio da parte que diz respeito a 15 ex-deputados e políticos com outros cargos, entre eles Cunha, para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília. Isso porque eles não têm foro privilegiado.
A decisão de Fachin, relator dos processos da Lava Jato no STF, se deu de forma diferente. Ele determinou a abertura de inquérito contra todos os 18 e encaminhou o caso para o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, decidir se o processo deve ficar com Fachin ou se deve ser feito o sorteio de novo relator, uma vez que o caso não tem relação com os desvios da Petrobras, foco da investigação da Lava Jato. Só depois disso é que haverá uma decisão desmembrando a investigação ou, ao contrário, mantendo-a toda no STF.
O caso tem origem na delação de Ricardo Saud, executivo do grupo J&F, controlador da JBS. Segundo ele, a JBS autorizou, em 2014, pagamentos de R$ 30 milhões a deputados em troca de apoio a Cunha, que se tornou presidente da Câmara em fevereiro de 2015. O dinheiro teria sido repassado via doações oficiais.
Em nota, o advogado Délio Lins e Silva Jr, que defende Cunha, rechaçou as acusações. “A defesa de Eduardo Cunha afirma que esse novo inquérito nada mais trás além de ilações, sem qualquer suporte fático-probatório que sustente a investigação”, diz a nota.
Mauro Lopes também negou irregularidades: “Eu votei em Eduardo Cunha , mas nunca manifestei qualquer tipo de interesse escuso. Nunca participei de nenhum ato escuso na minha vida. Isso só pode ser especulação. Nunca tive processo na minha vida”.
O Globo ainda está tentando entrar em contato com os deputados Carlos Bezerra e José Priante para comentar a decisão de Fachin . Na lista de 15 ex-deputados e políticos com outros cargos investigados estão: Newton Cardoso Júnior, Soraya Santos, Vital do Rêgo, Eduardo Cunha, Fernando Jordão, Geraldo Pereira, Manoel Júnior, Marçal Filho, Henrique Alves, Leonardo Quintão, Saraiva Felipe, João Magalhães, Toninho Andrade, Alexandre Santos e Sandro Mabel.
Por: Agência O Globo
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