Após ter sido criticada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) , a Polícia Federal do Maranhão manteve a versão de que Paulo Paulino Guajajara foi morto

Redação Publicado em 13/01/2020, às 00h00 - Atualizado às 12h42
Após ter sido criticada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) , a Polícia Federal do Maranhão manteve a versão de que Paulo Paulino Guajajara foi morto durante uma troca de tiros dentro da terra indígena Araribóia, na região de Bom Jesus. A corporação ainda reafirmou que o conflito que culminou na morte do indígena e de Márcio Gleik Moreira Pereira foi motivado pelo furto e depredação de uma motocicleta.
A conclusão do inquérito da PF sobre o assassinato de Paulino, em novembro do ano passado, foi divulgada nesta quarta-feira e descartou a possibilidade da morte ter sido causada por uma emboscada ou crime étnico. No dia, a polícia não esclareceu as circunstâncias do crime.
Agora, a PF informou que tanto o indígena quanto Gleik e os demais envolvidos no confronto estavam armados. A Polícia Federal afirmou ainda que Gleik, não-indígena, havia entrado em Araribóia com mais três pessoas para caçar — cada um dos quatro estava com uma motocicleta. Um dos veículos foi furtado pelo grupo de Paulino, conforme foi dito nos depoimentos colhidos na investigação.
Quatro pessoas foram indiciadas pelo crime. A PF, no entanto, não deu detalhes sobre os indiciamentos, que foram encaminhados à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal.
Paulino era integrante de um grupo de agentes florestais indígenas autodenominados “guardiões da floresta”, do povo Tenetehara. Na época do assassinato, a Secretaria de Direitos Humanos do Maranhão informou que ele havia sido morto numa emboscada. Um “dos fazendeiros envolvidos no ataque”, também morreu, segundo informou a pasta por nota.
O líder indígena Laércio Souza Silva foi ferido no braço durante o conflito. Ele chegou a dar uma entrevista relatando que seu grupo foi atacados por cinco madeireiros.
No ano passado, o Maranhão foi o epicentro da escalada de violência contra indígenas; o estado registrou quatros mortes de Guajajaras em menos de um mês e meio na região.
iG
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