A Comissão Interamericana de Direitos Humanos divulgou, na manhã desta segunda-feira (12), relatório preliminar sobre a violência no Brasil, em encontro em

Redação Publicado em 12/11/2018, às 00h00 - Atualizado às 16h31
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos divulgou, na manhã desta segunda-feira (12), relatório preliminar sobre a violência no Brasil, em encontro em Copacabana, na Zona Sul do Rio. O documento destaca preocupação com a situação dos direitos humanos no Brasil – o país, segundo o colegiado, não conseguiu saldar dívidas históricas com populações discriminadas.
O grupo teme que medidas de austeridade fiscal do governo causem a exclusão de políticas sociais que atendem populações mais pobres.
“A discriminação histórica e a concentração da riqueza resultaram na exclusão histórica de certos grupos da população, como afrodescendentes, povos indígenas e trabalhadores rurais, que permanecem em situação de extravulnerabilidade ao longo dos anos. Essa situação de vulnerabilidade é baseada na origem étnico-racial desses grupos e se agrava quando coincide com a situação de pobreza e de rua”, destacou o documento.
Uma comissão que está no país analisou dados sobre violações dos direitos humanos. Os analistas estão no Brasil desde o dia 5 deste mês, quando desembarcaram em Brasília. Desde então, eles estiveram na Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Roraima, São Paulo e Rio de Janeiro.
Os representantes da comissão alertaram para o risco de que o país volte para o mapa da fome da ONU. O relatório preliminar destaca também a redução dos processos de consultas públicas e frisou que a participação da sociedade no governo é essencial para a participação dos cidadãos nas decisões que os influenciam.
A comissão destacou a urgência de uma intervenção do governo em episódios de violação dos direitos indígenas e denunciou especialmente a comunidade Guarani-kaiowa. A comunidade de aldeia de açaizal, no Pará, sofre coações. Eles destacaram também indígenas que vivem em situação de rua m Roraima.
Os quilombolas também receberam atenção dos pesquisadores. O quilombo Rio dos Macacos, na Bahia, sofre com dificuldades no acesso à água e violência.
O uso indiscriminado de agrotóxicos e pesticidas foi destacado pelos investigadores. O desalojamento de terra dos trabalhadores rurais e condições de trabalho foram considerados problemáticos, com verificação de condições análogas à escravidão.
Os analistas destacaram as condições de “desumanização” da Cracolândia, em São Paulo. Eles também ressaltaram que os moradores de rua sofrem com a inviabilidade de suas necessidades e lutas em todo o país.
A comissão destacou a péssima situação em que são mantidos os detentos. No centro educacional Dom Bosco, voltado aos menores, a comissão constatou que os internos vivem em condições semelhantes à de presídios para adultos.
Também no Rio, unidades do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, tiveram condições verificadas como críticas, como o Plácido Carvalho e Nelson Hungria.
No Rio de Janeiro, o grupo se encontrou com autoridades da intervenção federal no Centro Integrado de Comando e Controle. Eles também conversaram com os responsáveis pelas investigações das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes e com familiares das vítimas. Eles foram mortos no dia 14 de março na Região Central da capital fluminense, e o crime segue sem solução.
Em agosto, a comissão havia solicitado medidas de proteção para viúva de Marielle, Mônica Benício. O pedido foi feito após ela receber ameaças pela internet e pessoalmente.
Na Bahia, a comissão visitou o Quilombo Rio dos Macacos, na Região Metropolitana de Salvador. O local é alvo de disputa entre as 85 famílias que habitam a área e a Marinha.
No Maranhão, um dos locais visitados foi o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na zona rural de São Luís. Em 2014, a comissão já havia condenado as instalações e mortes de presos.
A última vez que o grupo esteve no Brasil foi em 1995. Entre os temas observados estão a discriminação, desigualdade, pobreza e aplicação de políticas públicas. Os especialistas observaram principalmente a parte da população brasileira que está historicamente em situação de discriminação, como afrodescendentes, indígenas, trabalhadores rurais, população em situação de pobreza, presidiários, migrantes e defensores de direitos humanos.
A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos é um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), que tem como missão promover a observação e defesa dos direitos humanos no continente. É formada por sete membros independentes, que são eleitos pela Assembleia Geral da OEA a título pessoal, sem representarem seus países de origem ou de residência.
Leia também

EXPLÍCITO: MC Mirella apela com vídeo de sexo para promover OnlyFans; assista

Indicado por Orlando Morando à Faculdade de Direito é alvo do Gaeco por corrupção e lavagem de dinheiro

Mulher salva homem preso nos trilhos segundos antes da passagem de trem no Paraná

Novo vazamento de gás no Centro de São Paulo acende alerta após tragédia no Jaguaré

VIVIANE ARAÚJO EXIBE CORPÃO EM DIA DE PRAIA NO RIO

Israel mantém ofensiva no sul do Líbano mesmo após anúncio de cessar-fogo mediado pelos EUA

James Rodríguez é criticado após interação com filha do presidente da Colômbia gerar repercussão

EUA passam a tratar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Justiça de SP determina prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli em caso de difamação

Idosa morre após ambulância colidir contra poste na Zona Leste de São Paulo