Os policiais civis investigados pelo homicídio do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, alteraram a cena

Redação Publicado em 10/06/2020, às 00h00 - Atualizado às 10h19
Os policiais civis investigados pelo homicídio do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, alteraram a cena do crime. Os agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) que fizeram disparos dentro da casa onde o menino foi morto recolheram estojos de cartuchos calibre 556 — que haviam sido expelidos pelas suas próprias armas — antes de a perícia do local ser feita.
A munição ficou em poder dos agentes por uma semana . No dia do crime, 18 de abril, os policiais não entregaram estojos de calibre 556 na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) — onde foi feito o registro de ocorrência do caso. Na ocasião, os agentes só apresentaram três estojos calibre 9mm — que eles mesmos alegaram terem encontrado próximo a uma pistola que eles dizem ter sido abandonada por traficantes em fuga. Nos depoimentos que os três agentes prestaram naquele dia, nenhum deles citou que havia estojos de calibre 556 na casa ou que haviam recolhido a munição.
A perícia feita na casa no dia do crime só encontrou, além dos estojos de calibre 9mm, outros quatro de calibre 762 próximos ao portão da garagem na parte da frente da casa. O perito que foi ao local não encontrou nenhum projétil de calibre 556 no local.
Os estojos só foram entregues pelos agentes no dia 25 de maio, exatamente uma semana após o homicídio, quando os três policiais voltaram à delegacia e mudaram seus depoimentos . O registro de ocorrência do crime foi aditado, e 19 estojos de calibre 556 da marca CBC — a mesma usada pela Polícia Civil — passaram a constar na lista de bens apreendidos.
Na ocasião, como o jornal Extra revelou com exclusividade, o agente que mais fez disparos dentro da casa, o inspetor José Mauro Gonçalves, também revelou que usava um fuzil M16 calibre 556 quando entrou no imóvel. A arma sequer havia sido apreendida e só foi entregue à perícia em 25 de maio.
Em seu primeiro depoimento, no dia do crime, Gonçalves havia afirmado que só fez disparos com um fuzil calibre 762 na casa. No intervalo entre os dois relatos, peritos encontraram, durante a autópsia, um projétil de calibre 556 no corpo do adolescente. O policial afirmou que cometeu um “erro” no primeiro depoimento.
Questionada sobre as alterações feitas na cena do crime, a Polícia Civil alegou que “todos os fatos estão sendo analisados, bem como depoimentos e laudos periciais, e embasarão o relatório de conclusão que será enviado ao MP estadual”.
iG
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