Uma equipe internacional liderada pela astrônoma brasileira Beatriz Fernandes, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade

Redação Publicado em 11/12/2019, às 00h00 - Atualizado às 10h38
Uma equipe internacional liderada pela astrônoma brasileira Beatriz Fernandes, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), em parceria com o Instituto de Astrofísica de Paris, descobriu a origem da nebulosa Sh 2-296, que compõe a nebulosa conhecida como Gaivota. O estudo também revelou que três estrelas, chamadas de fugitivas, dessa região foram ejetadas por diferentes explosões de supernovas há milhões de anos.
“Estudar regiões como essa é importante porque nós podemos entender como a morte de estrelas pode afetar a formação de novas gerações de estrelas e isso nos ajuda a entender melhor a evolução da nossa galáxia, como as estrelas se formam e evoluem em diferentes ambientes e sob a influência de fatores externos. As estrelas jovens dessas regiões também são protoplanetárias, que é onde vão se formar novos sistemas planetários”, explicou Beatriz.
Conforme divulgou o IAG-USP, a nebulosa Sh 2-296, conhecida como as “asas” da nebulosa da Gaivota, é uma extensa região no céu em forma de arco, associada à região de formação estelar Canis Major OB1, composta por estrelas jovens, gás e poeira.
De acordo com o trabalho liderado por Beatriz Fernandes, a nebulosa Sh 2-296 é parte de uma enorme concha estelar descoberta pela equipe, que denominou a estrutura de “CMa shell” (concha CMa), e que foi formada por sucessivas explosões de supernova. “Ao analisar imagens da associação CMa OB1, vemos claramente que a nebulosa Sh 2-296 é de fato parte de uma grande estrutura, que pode ser aproximada por uma grande concha elíptica”, disse ela, sobre o trabalho de pós-doutorado no IAG-USP.
O grupo identificou também três estrelas dessa região, chamadas de fugitivas, associadas a estruturas de choque em forma de arco (bow shock), com uma origem comum perto do centro da concha CMa. “Já se suspeitava há algum tempo que essa é uma região onde explosões de supernova poderiam ter desencadeado a formação de estrelas. Mas não havia ainda nenhum estudo conclusivo mostrando, por isso resolvemos investigar essas estrelas fugitivas, era justamente para tentar encontrar indícios de que poderiam ter ocorrido essas explosões de supernovas na região”, afirmou a astrônoma brasileira.
Segundo a pesquisadora, a equipe descobriu que as estrelas fugitivas provavelmente foram ejetadas de um aglomerado de estrelas progenitor, em três sucessivas explosões de supernovas ocorridas há aproximadamente 6 milhões, 2 milhões e 1 milhão de anos.
As descobertas foram possíveis empregando dados de vários observatórios, usando diversos tipos de emissões, como raios-X, visível, infravermelho e rádio. Além disso, foi importante o uso de informações do satélite europeu Gaia, que está medindo a distância e os movimentos das estrelas da nossa galáxia. Tais informações permitiram, pela primeira vez, de acordo com o IAG-USP, ter uma visão geral da formação estelar nessa região.
Fernandes destacou a importância do investimento em pesquisas. “Não só investimento de instrumentos ou para experimentos, mas o investimento em pessoal, bolsas de pós-graduação, para pós-doutorado, incentivo para os pesquisadores continuarem. Eu, por exemplo, agora estou sem bolsa, não sei se vou continuar participando do projeto, e nós já temos observações importantes que foram obtidas e estavam sendo analisadas para dar continuidade ao projeto e agora vai tudo sendo prejudicado”, contou.
A pesquisa sobre a história de formação estelar na associação Canis Major OB1 foi feita com o apoio das agências financiadoras brasileiras CNPq, Capes e Fapesp.
ABR
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